A ganância


Por Joani Corrêa Prestes

“O dinheiro não traz felicidade, mas não há dúvida que melhora a disposição de nossos credores” (C.S.). Não desejamos estimular a cobiça de ninguém, mas ele tem papel importante em nossas vidas. Diante disso, nos lembramos de Joe Louis, famoso campeão estadunidense de pesos pesados, quando disse: “Na verdade, não gosto de dinheiro, mas ele me acalma os nervos”.
Ao estudarmos os textos bíblicos, temos enorme surpresa do quanto falam a seu respeito. Todavia, nunca se refere a ele como a segurança do homem: “Não te fatigues para seres rico; não apliques nisso a tua inteligência. Porventura, fitarás os teus olhos naquilo que não é nada? Pois, certamente, a riqueza fará para si asas, como a águia que voa pelos céus” (Provérbios 23:04-05). Sempre destaca que Deus não se agrada de um lucro corrupto, do enriquecimento ilícito e da falta de compaixão em favor dos necessitados.
Entretanto, em nossa sociedade, observamos que tanto os ricos quanto os pobres sofrem da mesma enfermidade, ou seja, “inveja dos outros e ganância de sempre querer mais”. Por isso, o apóstolo São Paulo afirma: “De fato, grande fonte do lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido ao mundo nem coisa alguma podemos levar dele; tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada e, em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (I Timóteo 6:6-10)
O grande segredo, segundo Paulo, é a piedade, “caminhar constante com Deus”, mais contentamento, “satisfação e paz interior”. Isso jamais decorre de ações externas. Como diz o sábio grego: “Quem não se satisfaz com pouco, não se satisfaz com nada”. Nada temos trazido ao mundo e nada podemos levar dele.
Na peça Rei Henrique VI, do dramaturgo inglês William Shakespeare, o rei anda sozinho pelo seu reino e encontra dois homens que não o reconhecem. Um deles pergunta: “Mas se tu és o rei, onde está tua coroa?” Magistralmente, o rei responde: “Minha coroa está no coração e não na cabeça; não é adornada de diamantes nem de pedras indianas. Não é visível; minha coroa chama-se contentamento. É uma coroa que poucos reis a têm”.
Na verdade, para enfrentarmos o perigo da ganância, precisamos perceber os verdadeiros valores da existência humana e a suprema importância de se estar contente com o que tem, em vez de se sentir insatisfeito e sempre buscar mais. Ademais, nunca depositar a esperança na instabilidade das nossas posses.
Enfim, lembremos de algo ensinado pelos nossos pais quando éramos crianças. “O dinheiro pode comprar o remédio, mas não a saúde. Pode comprar a companhia de pessoas, mas não os amigos. Pode comprar as diversões, mas não a felicidade. O alimento, mas não o apetite. A cama, mas não o sono. O crucifixo, mas não o Salvador. A boa vida, mas não a Vida Eterna”.
Joani Corrêa Prestes é mestre em Letras, professor e educador. E-mail: jcprestesedu@hotmail.com. Twitter: @teachervjcp. Blog: https://teachervjcpjoani.blogspot.com.br