Atos e compromissos


Por Maria Inês Foltram e colaboradores

Com o zelo pela Irmandade de São Benedito, recém-instaurada, e com a construção da capela dedicada ao santo patrono, fiéis perseveravam nos atos e compromissos da irmandade, tendo em vista que a crescente devoção era sustentada por uma fé autêntica e cristã.
Esta fé também se estendeu no zelo e cuidado pelo patrimônio da capela, a qual passou pela primeira e grande reforma em 1929, modificando parte de suas características originais, como a retirada dos mezaninos dos coros laterais e do púlpito. Além disso, a capela foi aumentada e ganhou um altar-mor em espaço mais elevado e a construção de duas salas para a sacristia.
Segundo relato dos mais antigos, uma manifestação de fé muito anônima é a imagem de São Benedito esculpida em madeira por um escravo artesão e, como o padre Costa doou a imagem, supõe-se que fora encomendada por ele.
Esta imagem permanece na capela até hoje e foi restaurada em maio de 1988 por Neusa Sonchin em virtude do aparecimento de cupins. O autor da escultura e a história se perderam no tempo e no anonimato. Estima-se que foi entre 1842 e 1868, por ocasião do Paroquiado do padre Costa na paróquia.
Antes da construção da capela, a referida imagem ficava na matriz antiga, onde ocorreram as primeiras reuniões da Irmandade de São Benedito. Os traços da imagem traduzem a fé e o zelo por parte do escultor e há de se notar os detalhes do cabelo encaracolado, além das mãos e dos pés, dos olhos móveis, com uma expressão que parece de verdade, assim como se nota o entalhe da veste franciscana, entre outros de especial admiração.
Vestido por um manto aveludado, de cor preta, segura nos braços a imagem do Menino Jesus, vestido de branco.
A cada ano que se sucede, muitos devotos aguardam a oportunidade de doar uma nova veste ao santo como forma de agradecimento por uma graça alcançada ou promessa.
Ainda sobre as manifestações de fé do povo cristão, embora não hajam muitos registros históricos documentados sobre as primeiras organizações religiosas da irmandade, mas é fato de que, como exigiu o Episcopado e como de costume cristão, as procissões em louvor ao santo, certamente, realizaram-se desde o início.
Historicamente, a procissão de São Benedito era organizada por piedosas senhoras da irmandade e foram tomando uma gigantesca dimensão, envolvendo muitos fiéis, vizinhança, visitantes e familiares de outras cidades, todos empenhados em ajudar e colaborar para com a realização da mesma.
A procissão era iniciada pelo “guião” que saía à frente carregando uma rústica cruz preta, em madeira, seguida da banda regida pelo maestro, tocando hinos religiosos que demonstravam o amor ao santo. Logo atrás, a Corte, representativa das autoridades dos tempos do Império, tinha Santa Úrsula, em forma de imagem ou pessoa caracterizada. Depois, Nossa Senhora Aparecida e, aí, a protagonista desta história, a Irmandade de São Benedito à frente do andor com o estandarte do santo.
Com o crescimento da cidade e da população e com o surgimento de novas capelas e comunidades, como manifestação de fé e devoção estas também levavam seus andores ornados para participar da procissão, que se tornava cada vez mais grandiosa. Ao longo das décadas que se sucediam, três fatos foram marcantes e traduziam a poderosa intercessão de São Benedito pela fé do povo devoto.