Aumentam casos de golpes via telefone em Tietê


Em outubro deste ano, uma das vítimas chegou a transferir R$134 mil a criminosos do Estado do Rio de Janeiro

Delegado Fernando dos Reis alertou a população para não agir pelo emocional

A história sempre é a mesma. Trata-se de um filho pedindo por socorro através do telefone, pois foi sequestrado, ou, então, um familiar ou parente que está com o carro quebrado na estrada e precisou acionar o mecânico, por isso, pede que certa quantia em dinheiro seja depositada na conta do falso profissional para que se efetue o serviço.
Os golpes são conhecidos, mas, em Tietê, eles ainda fazem vítimas constantes, o que pôde ser constatado pela Polícia Civil do município.
Em outubro deste ano, por exemplo, um morador da cidade chegou a perder R$134 mil ao “cair” no golpe do falso sequestro. Sua esposa e a vítima foram enganadas por criminosos, os quais simularam que a filha do casal havia sido sequestrada. A ligação foi recebida através do telefone fixo, sendo que os bandidos solicitaram o número do celular do homem para passarem todas as instruções para extorqui-la. Enquanto isso, sua mulher permanecia no telefone fixo.
Desesperado, o morador acabou acatando as instruções dos criminosos: realizar depósitos e seguir até cidades vizinhas, onde deveria rasgar todos os comprovantes bancários, pois havia um carro deles seguindo a vítima, caso não obedecesse às ordens. A mulher da vítima, ainda ao telefone, era informada sobre as ações do marido.
Mas ela também foi utilizada pelos bandidos para fazer outros depósitos. Desta vez, teria que ir até Cerquilho, hospedar-se em um hotel e realizar os depósitos, os quais não foram possíveis, pois o limite diário já havia sido utilizado pelo marido.
Foi quando, então, conseguiu, de fato, contatar sua filha, que a buscou em Cerquilho, dizendo que estava tudo bem e que não fora vítima de um sequestro.
Já o marido só conseguiu parar de atender as ligações dos bandidos quando a linha caiu e, logo, sua filha e o genro conversaram com ele. Entretanto, sob forte estresse emocional, contou que havia transferido R$134 mil, em diversos valores a várias contas, sendo uma delas de um banco localizado no Rio de Janeiro.
O golpe mencionado não deixou apenas prejuízo financeiro, mas também emocional ao casal.
“Casos de pessoas que foram vítimas desses golpes por telefone aumentaram consideravelmente em outubro e novembro deste ano”, informou o delegado de polícia de Tietê, Fernando César dos Reis.
Mas por que as pessoas do município? A questão pode ser respondida através da suscetibilidade da própria população tieteense. “Essas ligações, geralmente, partem de penitenciárias, escolhem um código de Discagem Direta a Distância (DDD) de maneira aleatória e, quando veem resultado, acabam insistindo nos golpes”, explicou Reis.
Ainda segundo o delegado, o importante é os moradores saberem que Tietê não registra caso de sequestro há 10 anos.
“Desse modo, ao receber uma ligação de golpistas, tente manter a calma, procure entrar em contato com a suposta pessoa ‘sequestrada’, não pague valor algum, mesmo em hipótese que seja, realmente, um sequestro e procure a Delegacia de Polícia”, orientou o delegado Reis.