Aumento da pressão pode levar à cegueira


Causas ainda são pouco conhecidas, mas alguns hábitos diminuem a chance de desenvolver o problema, principalmente em mulheres

A hipertensão intracraniana idiopática é uma doença rara que causa o aumento da pressão intracraniana (dentro da cabeça), apresentando sintomas como dor de cabeça, náusea e também acometimento visual (visão turva ou borrada). Outros sinais são cansaço fácil, visão dupla e zumbido nos ouvidos.
Henrique Fernandez Mendes, médico neurologista do Centro Médico São José, de Cerquilho, explicou que, como os sintomas não são característicos, há certa dificuldade no diagnóstico. “O problema pode ser confundido com uma enxaqueca ou uma dor de cabeça tensional. Por este motivo, deve ser avaliado com muita atenção por um médico especialista que realizará um exame clínico, análise de fundo de olho e um exame de imagem para descartar outras causas de hipertensão intracraniana”, disse o médico.
“Para o diagnóstico definitivo, é aferida a pressão do líquor (líquido que envolve o cérebro), que deve estar aumentada, caso realmente haja a hipertensão intracraniana”, completou o médico neurologista.
As causas da doença são pouco conhecidas. “Ainda não sabemos porque ela ocorre. Diferentemente que algumas pessoas podem pensar, o problema não é causado por massas, tumores ou distúrbio da circulação do líquor.
Embora as causas sejam desconhecidas, há fatores de risco que contribuem para o surgimento da hipertensão intracraniana idiopática. “A doença é mais comum em mulheres obesas, jovens ou de meia idade. Também pode estar presente em algumas condições, como intoxicação por vitamina A, uso de anticoncepcionais, interrupção abrupta do uso de corticoides, dentre outros fatores”, detalhou Mendes.
Tratamento pode ser feito com medicamentos e com a retirada dos fatores que poderiam agravar o problema. “Suspender a vitamina A, interromper o uso de anticoncepcionais e perder peso são medidas que ajudam a minimizar o problema. Eventualmente, pode ser necessário tratamento cirúrgico”, contou o neurologista. “Procedendo desta forma, o quadro pode estabilizar e as medicações podem ser suspensas sem retornar os sintomas de hipertensão intracraniana. Caso não seja feito o tratamento, não há fatalidade, porém, existem chances de agravar o acometimento visual, que pode até evoluir para cegueira”, alertou o profissional do Centro Médico São José.
Ainda de acordo com Henrique Fernandez Mendes, não existe prevenção à hipertensão intracraniana idiopática, mas como é mais comum em obesos, o controle do peso diminui a chance de ter a doença.