Conheça o 11º Passo do Narcóticos Anônimos


Esta etapa sugere que cada um procure melhorar o contato com um Poder Superior através da prece e meditação

Vitório (nome fictício) relata, nesta edição, o que aprendeu sobre o 11º dos 12 Passos do Narcóticos Anônimos.
“Como todos os processos de aprendizagem, é necessário prática e o Programa dos 12 Passos nos conduz nessa direção, rogando a vontade de Deus em relação a nós através da prática diária.
A forma como conduzimos nossas vida até agora, baseadas em atitudes egoístas e egocêntricas, afetam a nossa maneira de rezar. Podemos nos pegar, muitas vezes, fazendo uma oração para que possamos nos apresentar diferente do que realmente somos para manter as aparências, conservando nosso interior exatamente como sempre foi e tentando fazer com que os outros acreditem que mudamos.
Essa não é a vontade de Deus em relação a nós. Quando falamos com Deus, temos que nos lembrar que vivemos em um mundo real. Receberemos as dádivas e os benefícios do programa à medida que aprendemos a lidar com elas e as vivenciarmos.
O crescimento espiritual tornou-se essencial para mantermos a paz de espírito nunca antes encontrada. No início, tentamos praticar os passos para nos livrarmos da dor ou com medo da recaída. Agora, somos menos motivados pela dor e medo, mas levados por um desejo de recuperação contínua e crescente.
Criamos o hábito de perguntarmos a nós próprios se aquilo que se apresenta é nossa vontade ou a vontade de Deus. Somos tentados a entender como esse Poder agirá, pois isso, em nossa visão humana, limita-se ao que vemos e entendemos, reduzindo, assim, nossa capacidade de acreditar, de ter fé.
Temos que colocar meditação e oração no topo de nossa lista de prioridades e torná-las parte de nossa rotina diária como comer ou dormir, afinal, a autodisciplina concretiza essa decisão. O medo do resultado de viver os princípios espirituais é um obstáculo ao hábito de fazer a vontade de Deus e não minha. Depois de estar a algum tempo praticando o programa, fica cada vez mais fácil perceber quando estamos agindo contra a vontade de Deus.
Imediatamente, aquele velho desconforto desperta de nossas entranhas, e o medo e a insegurança ressurgem instantaneamente. Sentimos a vontade de Deus não por sinais ou palavras, mas pelo bem-estar que sentimos.
É bom lembrarmos que um dos princípios básicos do programa é a liberdade incondicional e absoluta de acreditar em qualquer Poder Superior de nossa escolha e nosso direito de nos comunicarmos com esse Poder da maneira que melhor funcionar para nós. Assim, evitamos de cair na ‘armadilha religiosa’ de que deveremos acreditar, rezar ou meditar de uma certa forma.
Embora a maioria pratique sua crença religiosa, é raro ouvirmos falar sobre elas em nossas reuniões ou literatura. Nem mesmo são citadas e, nessa atmosfera, cresce a liberdade de nós praticarmos nossa própria forma de rezar e meditar, o que realmente funciona para nós.
A vontade do nosso Poder Superior não é algo pirotécnico, que surge em um raio ofuscante, mas sim o resultado de um despertar gradual, trazido pela prática contínua da oração e meditação. Começamos a sentir que a verdadeira vontade de Deus para nós é a capacidade de vivermos com dignidade e de amarmos os outros como a nós mesmos, além de adquirimos equilíbrio emocional.
As oscilações de humor começam a se distanciar e se estabilizar e, como resultado, deixamos os outros sentirem seus próprios sentimentos sem precisar julgá-los. Experimentamos uma nova variedade de emoções, recordando humildemente quem fui e sou. Posso tomar posse dos tesouros espirituais a mim reservados, na condição plena de filho amado e protegido de um Deus amoroso, cuidadoso e misericordioso.
Sabemos que só manteremos o que temos se partilharmos com os outros. Partimos, então, para o 12º Passo.
(continua)