Cremesp defende uso da eletroconvulsoterapia


Médicos especialistas destacaram que a referida técnica, alvo de muitas polêmicas, pode aliviar a readmissão hospitalar e salvar vidas

Considerado um método que utiliza o estímulo elétrico para gerar uma convulsão que constitui o elemento terapêutico, a eletroconvulsoterapia (ECT) tem como objetivo induzir dentro da circuitaria neuronal a mesma modificação que os antidepressivos promovem.
Diante das polêmicas envolvendo o uso dessa técnica pelo Ministério da Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), psiquiatras que integram o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), através de nota à imprensa, reforçaram que o uso da ECT apresenta respaldo científico substancial para emprego no tratamento aos pacientes da rede pública.
Os psiquiatras Edoardo Vattimo, Christina Hajaj Gonzales, Rodrigo Lancelote Alberto, Maria Alice Scardoelli e Pedro Sinkevicius Neto destacaram que a prática é regulamentada por resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) e a sua não realização, de forma adequada pelo médico, é passível de processo ético-profissional.
O grupo ressaltou, ainda, que a elaboração da norma técnica, capitaneada pelo Ministério da Saúde ainda em 2018, contou com a contribuição de especialistas que, especificamente sobre a ECT, reconheceram a importância clínica deste tratamento.
Entre outros resultados, os médicos esclareceram que a eletroconvulsoterapia pode aliviar taxas de readmissão hospitalar e salvar vidas, assim como a cardioversão elétrica na Cardiologia. “Pacientes com indicação para a ECT, antes de mais nada, devem ser submetidos a cuidadosa anamnese e a exame físico e complementares, como avaliação cardiológica. Hoje, este procedimento é feito de forma humanizada, com sedação, analgesia e monitoramento hospitalar e ambulatorial. Além de outros cuidados, como observância de jejum e avaliação odontológica”, disse o conselheiro do Cremesp, Edoardo Vattimo.
O grupo de psiquiatras rebate preconceitos e qualquer tipo de militância e esclarece que a ECT é tratamento eficiente e de rápida resposta clínica. Destacou que pode ser considerada alternativa concreta para doenças, como catatonia e depressão grave. “Diversas metanálises demonstraram que a ECT é mais eficaz que a farmacoterapia e que outros tratamentos nesses casos selecionados. Portanto, quando feita com responsabilidade e técnicas adequadas, a ECT é recomendada”, completou Vattimo.
Por fim, o grupo reforçou a necessidade de averiguação permanente dos resultados alcançados pela ciência e a atual prática neste campo da Medicina, de forma a não privar os pacientes mais carentes dos melhores tratamentos.