Cresce índice de mulheres infectadas pelo vírus HIV


Dados do Programa das Nações Unidas apontam que a doença é a maior causa de morte entre o sexo feminino de 15 a 49 anos

Apesar do número de pessoas infectadas pelo vírus HIV estar em queda nos últimos anos, o índice cresceu em mulheres de 15 a 19 anos e, também, entre aquelas com mais de 60 anos, segundo aponta a Organização das Nações Unidas (ONU).
Dados do Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids mostram que cerca de 870 mil mulheres se infectam com o vírus todos os anos no mundo, colocando a Aids como a maior causa de mortes entre mulheres em idade reprodutiva (de 15 a 49 anos). No Brasil, de 1980 até junho de 2017, 306.444 tinham o vírus da Aids.
“Infelizmente, atualmente, muitas pessoas estão deixando de se preocupar com a Aids e não usam camisinha durante o ato sexual. O crescimento da Aids entre adolescentes mostra a inconsequência de não usar preservativo. O mesmo ocorre entre as idosas com mais de 60 anos de idade. É importante que todas a mulheres conversem com seus parceiros sobre o uso de preservativo. Ele não só previne a transmissão do HIV como também de outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como sífilis, HPV, clamídia, gonorreia e as hepatites B e C”, alertou a ginecologista Juliana Pierobon.
A mesma especialista explicou que, muitas vezes, as mulheres na pós-menopausa deixam de usar o preservativo por não correrem mais o risco de engravidar e isso acaba abrindo portas para que contraiam o vírus da Aids. “Além de serem da geração anterior à Aids, muitas não têm o hábito de exigir o preservativo e ainda tem a questão de não mais engravidar. Por isso, o índice de mulheres com HIV após os 60 anos tem crescido tanto”, ressaltou a médica.
Uso de preservativo, seja ele o preservativo masculino – o mais usado – ou o feminino, é fundamental em todas as relações, principalmente nas casuais. É questão de hábito e adaptação. Casal pode experimentar marcas e modelos diferentes para verificar com o qual melhor se adaptam.
Segundo Juliana Pierobon, o que dificulta a vida da maioria das pessoas com Aids é o preconceito. No caso das mulheres, na maioria das vezes, a visão do HIV está ligada à promiscuidade. “O preconceito e o medo aumentam riscos do contágio. Muitas vezes, as mulheres se questionam se devem pedir ao parceiro para usar camisinha ou não ou até mesmo se devem contar a ele sua condição de soropositiva. É preciso se informar, conversar com o parceiro e confiar. A segurança é a chave para uma vida sexual plena”, alertou a ginecologista.
“Mesmo que as chances do homem transmitir o HIV sejam maiores, mulheres também podem ser transmissoras do vírus”, revelou Juliana.