Vovó Augusta (Nona Gusta)


Por Celina Bergamin Ruy, neta e admiradora da Nona Gusta

Como escrever dela: Augusta de Lizier Vidotto, Nona Gusta, uma pessoa que eu nunca deixarei de amar? Vamos lá!
Ela é gente do Lizier, casada com gente do Vidotto (meu avô Bepe). Teve 13 filhos. Naquela época, poucos anos se passaram entre o primeiro e o último filho.
Sei que o seu sobrenome Lizier vem da França. No entanto, ela me contava que um dos seus ancestrais no Brasil era índio. Acredito porque a pele dela era uma maravilha. O sol não judiava! E sua coloração na pele era mesclada.
Linda e feliz, era dona de uns olhos verdes que nunca vi iguais. Sabe céu e mar, juntos? Além de toda beleza, tinha ainda a humildade. Nona Gusta possuía uma ansiedade benigna, porque não se permitia pensamentos ruins. Ficava sempre atenta!
Casou-se com vô Bepe (um italiano visionário) e era uma companheira adepta à mudanças. Era extraordinária no pensar! Era como uma galinha que recolhe seus pintinhos e os incentiva para o melhor, sempre! Mesmo morando no sítio do bairro Areia Vermelha (hoje Hípica Vidotto), não permitiu ter filho algum sem estudo. Todos vinham ao “Luiz Antunes” para os ensinos primários. Tanto que, mais tarde, com vô Bepe muito doente, ela fez questão do “usufruto”. Todos tiveram sua parte porque ela não concordava com brigas por conta de herança.
Nona Gusta era a felicidade pura! Vivia assobiando! Estava no fogão, fazia crochê, cuidava das crianças. Nada a repelia! Era bela e interessada! No sítio do vô Bepe participava ativamente. Fosse à Olaria, ao bar, sempre estava ativa. Tinha muita classe para seu pouco estudo.
Religiosa, Jesus, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Santa Teresinha não ficavam sem suas orações. Diariamente ia à igreja, rezava o terço e participava sempre, com seu modo humilde, mas pleno, das boas intenções.
Quando mais velha, passava as tardes na casa de algum filho. Muita gente deve se lembrar dela no bar do tio Jacomim (tia Nina, era sua filha). Tinha a casa dela, mas gostava de estar atenta a tudo.
Às segundas-feiras, depois que me casei, Nona Gusta passou a compartilhar da minha casa. Era uma maravilha! Eu saía para trabalhar e ela vinha para ficar com a Bruna (foto) e minha secretária. Fazia crochê, trançava meias e tecidos para tapetes… Tenho muita saudade desta mulher de fibra.
Nona Gusta faleceu com quase 92 anos. Isso porque uma pneumonia a sufocou. Porém, não me lembro de vê-la doente antes. Tenho, acima de tudo, muito respeito por essa matriarca, um verdadeiro exemplo de calma, honestidade e sabedoria! Esta incrível mulher tem e sempre terá minha consideração, além de muito amor, muito mesmo.
Nona Gusta, a senhora és uma fada. Beijos! Te amo!

Na esquina da vida

Por Eric Ferraz, advogado e escritor

Em Tietê, há uma esquina entre a praça dr. Elias Garcia e a Câmara, famosa no município e fora dele, por reunir pessoas ao longo do dia. Só frequentei este ponto de encontro, pois sempre que estava em Tietê, ia procurar um amigo para conversar. Enquanto conversávamos, a vida pulsava diante de nós. Eram pessoas que seguiam até as agências bancárias, mães que passeavam com os filhos, carros que seguiam a caminho de algum lugar, guardas a fiscalizar e comerciantes a trabalhar…
O nome desse amigo é Antônio José Citroni, primo do meu pai e nosso familiar. Citroni sempre me ouviu, me apoiou, me aconselhou e me ajudou em momentos difíceis da minha vida. Fez algumas vezes de pai. Foi ele quem endossou a família para construir um novo cemitério em Tietê.
Anos se passaram e o meu amigo sempre manteve a rotina diária de assitir a vida através da esquina. Passou por lá muitas primaveras, mas assim como depois do dia vem a noite e, para irmos a outra rua, precisamos dobrar a esquina, depois da vida de aprendizados sobrevem a morte para nos transformarmos.
Infelizmente, em 1º de fevereiro, Antonio José Citroni dobrou a esquina da vida e caminhou para a morte. Mas assim como a luz precisa da escuridão, a vida precisa da morte para renascermos para uma nova fase.
Meu saudoso amigo, a vida continua sendo vista da mesma esquina e, enquanto ela em mim continuar, você permanecerá vivo, pois a ida daqueles que partem antes não pode confortar a perda daqueles que ficam e que um dia os acompanharão.
Por isso, fica aqui está singela dedicatória da família e, a partir de hoje, o prédio da administração do Cemitério Jardim do Éden de Tietê terá nele o seu nome gravado. Obrigado e que Deus te abençoe!