Feijão “milagroso” estampa imagem do Divino


História que fortalece a fé dos católicos e atiça a curiosidade dos pesquisadores chegou ao conhecimento do empresário José Antonio Bággio

Uma história de crença e fé transformou grãos de feijão em símbolo da cidade de Lamim (160 quilômetros de Belo Horizonte). Pequeno município, com cerca de 4 mil habitantes, carrega há mais de 200 anos a lenda do feijão, conhecido somente ali como “milagroso”.
No grão desse feijão é possível ver a imagem de uma pomba, símbolo do Divino Espírito Santo, padroeiro da cidade. O feijão serve como amuleto e souvenir na festa religiosa que ocorre na celebração de Pentecostes, 50 dias depois da Páscoa.
A história do feijão, que, em Lamim, fortalece a fé dos católicos, desafia céticos e atiça a curiosidade de pesquisadores, chegou ao conhecimento do empresário José Antonio Bággio, da Indusparquet. Em entrevista ao Nossa Folha, ele conta como conheceu e trouxe para Tietê o feijão “milagroso”.

Nossa Folha – Como e quando teve origem essa entrega dos grãos de feijão que possuem a imagem do Divino Espírito Santo?
José Antonio Bággio – Em 2006, um cliente de Minas Gerais nos presenteou com dois grãos do feijão do Espírito Santo. Na época, ele nos contou que, em Lamim, um dos municípios mais antigos da Zona da Mata, por volta de 1800, surgiram os primeiros grãos “estampados” com a imagem de uma pomba, símbolo do Divino Espírito Santo, padroeiro da cidade.
De lá para cá, o feijão “milagroso”, como é conhecido na região, foi passando de geração em geração e, hoje, serve de souvenir na tradicional Festa do Divino Espírito Santo. Isso porque, em 1801, como de costume, houve um sorteio para escolher quem faria a festa do padroeiro de Lamim.
Só que o sorteado, um humilde agricultor, não tinha dinheiro para pagar as despesas. Alvo de críticas, prometeu que, se a sua plantação de feijão vingasse, pagaria a festa com o dinheiro da colheita. A colheita foi farta e alguns grãos estampavam a imagem do Divino.

Nossa Folha – Quem foi responsável por essa iniciativa em Tietê e por qual razão?
José Antonio Bággio – Em um vaso, plantei as duas sementes e elas foram se multiplicando em nossa chácara. Até que, em 2014, conseguimos colher 20kg de feijão. A partir daí, iniciamos uma distribuição anual na tradicional Festa do Divino Espírito Santo de Tietê, uma das mais antigas e difundidas práticas do catolicismo popular.
Com colaboração da equipe Indusparquet, colocamos grãos em embalagem plástica transparente com um pequeno pedaço de papel explicando a imagem nas sementes e entregamos à comunidade.

Nossa Folha – Fala-se que quem guarda os grãos ou os planta com muita fé colhe milagres. Desde, então, tem notícias de populares que alcançaram alguma graça?
José Antonio Bággio – Milagres são eventos sobrenaturais, inexplicáveis pela Ciência, que causam estranheza e ao mesmo tempo admiração, por isso só é entendido pela fé. Sem a fé, o feijão do Divino Espírito Santo não passa de um alimento. Existem inúmeros relatos de graças alcançadas e somente como o feijão surgiu, já é um grande milagre!

Nossa Folha – A entrega dos grãos de feijão só ocorre em dezembro, mês das celebrações do Divino Espírito Santo?
José Antonio Bággio – Em Tietê, as celebrações realizadas nas margens do Rio Tietê, na véspera do Ano-Novo, através do Encontro das Canoas, é tradição há 178 anos. Por isso, faz mais sentido distribuirmos os grãos nessa época do ano.

Nossa Folha – Como faz o devoto do Divino Espírito Santo que se interessar em receber o grão de feijão?
José Antonio Bággio – Infelizmente, não temos mais. Agora, é preciso esperar a próxima colheita. Tínhamos somente sementes, cerca de 17kg, divididas em embalagens de oito grãos cada. Mas estas foram distribuídas nas festividades do Divino, em Tietê, no fim de 2017.

Nossa Folha – Considerações finais:
José Antonio Bággio – Iremos continuar plantando, na esperança que a cada colheita os grãos se multipliquem para distribuirmos e, assim, disseminar esse milagre a todos.