Grupo escolar de Tietê: sua relação com a democratização da escola, formação da cidadania e contribuição para a isonomia durante a Primeira República (1889-1930)


Por Pedro Luiz Dal Boni

O grupo escolar “Luiz Antunes” foi instalado em 15 de outubro de 1894. Originariamente funcionou na praça dr. José Augusto Corrêa, no antigo prédio da máquina de algodão, sendo transferido para o prédio próprio, construído pelo Governo do Estado, em 1898.
É o quarto mais antigo “templo de civilização”, construído pelos republicanos no Estado de São Paulo. Criado após a Proclamação da República, ele refletia o ideário republicano de educação universal e redução do analfabetismo, centrado na filosofia positivista, buscando estabelecer uma nova configuração sócio-política que, a partir das escolas públicas, poder-se-ia seguir os passos dos povos civilizados rumo ao progresso.
A implantação dos grupos escolares no Estado de São Paulo ensejou o que, posteriormente, se disseminou por todo o Brasil.
Hoje, o prédio do grupo escolar de Tietê ostenta uma riqueza arquitetônica (medalhões em sua fachada e o mapa da América do Sul) cujo significado, segundo estudos de Rosa Fátima de Souza, representa um tributo à instrução como ciência e cultura.
Tombado pelo Conselho do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo, representa um marco histórico para a cidade de Tietê.
Análise dos livros de matrículas da época revelou a presença de filhos de brasileiros em sua maioria, porém, foram encontradas matrículas de filhos de imigrantes italianos, portugueses, alemães e russos. A presença de grande quantidade de meninas matriculadas na ocasião, rompendo com padrões éticos e morais da época, surge como um dado relevante. Também foram encontrados nos livros de matrículas uma grande presença de estudantes, filhos de pequenos lavradores, negociantes e domésticos. Nele estudou Cornélio Pires, aluno da primeira turma do grupo escolar em 1895.
Ao analisar apenas estes dados, eles permitem afirmar que o grupo escolar de Tietê foi democrático, isonômico e acessível a todos.
Pedro Luiz Dal Boni é delegado de Polícia Civil do Estado de São Paulo, mestre e doutorando em Educação pela Uniso