Lalo (goleiro do Bela Vista) e Paulinho Babau (torcedor do Trancham)


Por volta da década de 1970, o esporte tieteense viveu um momento marcante de muitos confrontos futebolísticos entre equipes de Tietê e região. Nesta época, a Cidade Jardim tinha como prefeito Oswaldo Rodrigues de Moraes (de 1º de fevereiro de 1973 a 31 de janeiro de 1977) e, na ocasião, a Secretaria Municipal de Esportes, em parceria com a Liga Tieteense de Futebol, promoveu o Campeonato Varzeano Regional.
O presidente da Liga era Angelo Uliana (prefeito de Tietê de 1º de janeiro de 1993 a 31 de dezembro de 1996) e, no comando do Tribunal de Justiça Desportiva, estava o árbitro e técnico Primo Luvizotto, comerciante que tinha um armazém na rua Lara Campos, na época em que se usava a caderneta para registro das despesas do freguês.
Entre os times que disputavam o Varzeano Regional, estavam o Trancham, Esplanada, Bela Vista, Usina Santa Maria (Pilon), entre outros. Na época, cheguei em cima da hora para a reunião que estabeleceu o regulamento, além da relação dos times competidores. Atrasado, pedi para Uliana que permitisse a minha participação e a inscrição da minha equipe.
Embora contestado, as autoridades presentes permitiram a inscrição e, ao time, dei o nome de Esplanada, em homenagem ao presidente da Liga que, na época, tinha um Simca Esplanada, considerado sedã de luxo.
Nessa competição, pelo nosso caminho havia a favorita equipe do Trancham, de Paulinho Babau e Elviro Pessato. O time adversário, que tinha como nome que significava “está nos trinques”, embora considerado um dos favoritos ao título, não encantou como o esperado e viveu uma montanha-russa de impressões. Da total euforia do início, o Trancham viveu um desequilíbrio em campo e, mesmo recorrendo a um atleta mexicano, não chegou à final.
Já o Esplanada, que chegou sem qualquer alarde, incomodou os adversários, pois tinha jovens atletas que formaram uma constelação de craques desconhecidos e que, por isso, conseguiram desequilibrar as disputas.
Como treinador e técnico esforçado, para conseguir montar a tempo esse elenco jovem do Esplanada, saí da reunião com os dirigentes da Liga Tieteense de Futebol e, até tarde da noite, com minha bicicleta, percorri casa a casa dos jogadores e completei o número de atletas necessários para disputar o Varzeano Regional.
A escolha desse time foi tão bem feita que, em campo, os atletas do Esplanada encantavam com as suas arrancadas, dribles e passes inteligentes, além da capacidade de decisão. Tenho imenso orgulho por esse elenco que brilhou nessa temporada.
Mas a parte desagradável do Varzeano Regional é que, na semifinal, houve um impasse. Embora o regulamento não determinasse que a escalação dos times teria que ter inscritos somente jogadores das cidades que integravam a competição, o Tribunal de Justiça Desportiva, na época, acusou o Esplanada de convocar, irregularmente, Djalma, do Palmeiras, considerado craque de futebol sério e habilidoso.
Embora o Esplanada não tenha desrespeitado o regulamento, como técnico, formalizei a defesa, porém, mesmo assim, a decisão do Tribunal de Justiça Desportiva foi a de suspender a competição. Assim, Esplanada e Pilon, os finalistas que prometiam um duelo de gigantes, ficaram impedidos de entrar em campo.
Curioso que, na época, embora não tenha chegado à final, o Trancham não cumpriu penalidade alguma nem mesmo foi advertido por ter em seu elenco um mexicano trazido de São Paulo.
Essa final do Varzeano Regional seria uma página marcante na história do time Esplanada se não houvesse essa punição injusta do meu ponto de vista, assim como também poderia ter sido um momento glorioso para a Usina Santa Maria, do corintiano Hermínio Pilon.
Aliás, os gramados do Pilon, no bairro São Francisco, me trazem lembranças que remetem também à família Silva Pontes do meu cunhado Delfi-
no, que foi casado com a minha irmã Jenny Honório. Para quem não conheceu, o pai de Delfino era seu Esaú, dono de todas as terras onde hoje está a Usina Pilon, em Cerquilho. No passado, seu Esaú vendeu todo aquele patrimônio e veio para Tietê.
Esses relatos marcantes fazem parte dos momentos inesquecíveis que eu vivi no esporte!
PIADINHA DA SEMANA – Curioso, Joãozinho pergunta para a mãe:
– “Mamãe, para onde vai a ‘cegonha’ depois de deixar o bebê?”
A mãe responde:
– “Vai para o sofá beber cerveja e ver televisão!”