Nem herói nem fracassado


A vida está cansada dos jogos de aparência que tomaram conta das corporações e das famílias. Como em um teatro constante, são todos felizes, motivados e corretos, embora, muitas vezes, pequem na competência. Ao observar as manias humanas, constatam-se os jogos de aparência que tomaram conta das pessoas.
A sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe… Chega-se ao pensamento que o mundo definiu que poucas pessoas deram certo. Isso é loucura! Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes.
E essas pessoas, quando olham para a própria vida, a maioria se convence de que não compensou porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa. Não está certo! O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas, reconhecer o valor do outro e admitir que erraram.
Quando isso não ocorre, qual o resultado? Paranoia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e coloca o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou 10 anos, a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, alguns pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.
Falta às pessoas a verdadeira autoestima. Se preciso que os outros digam que sou o melhor, minha autoestima está baixa. Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom.
Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida tornou-se parecer. As pessoas parecem que sabem, parecem que fazem, parecem que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem. Também há muitas mulheres solitárias que preferem dizer que é melhor assim. Embora a autoestima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.
A verdade é que todos precisam de pais e mães dedicados, irmãos companheiros, filhos reconhecidos, amigos de todas as horas, colegas de trabalho cordiais e solícitos, profissionais que colocam algo mais em suas tarefas, autoridades justas e políticos comprometidos com o povo e o bem comum. Concorda com este pensamento?