O segundo passo do Narcóticos Anônimos


Honestidade, mente aberta e boa vontade são três princípios espirituais para toda recuperação

Nesta edição, Vitório (nome fictício) explica como é o segundo passo do Narcóticos Anônimos (N.A.).
“Vir a acreditar é um processo e exige honestidade, mente aberta e boa vontade. Estes três princípios espirituais são os pilares de sustentação de toda recuperação.
Honestidade faz com que comecemos a tomar ciência e nos preocupar com aspectos da vida que, durante o uso de drogas, nem sequer sabíamos que existiam.
Quando percebemos que começamos a praticar a honestidade nas pequenas coisas, superamos testes maiores com mais facilidade e, em recuperação, começamos a nos sentir desconfortáveis quando somos desonestos.
À medida que praticamos esta honestidade com o Deus da nossa compreensão, é gerado um efeito em cadeia em todas as áreas de nossas vidas. Nem sempre é fácil sermos totalmente honestos, mas, quando começamos pelo nosso Poder Superior e conosco, ser honestos com os outros torna-se mais fácil.
Mente aberta é para obtermos os benefícios da recuperação, pois precisamos manter a mente aberta para nos tornarmos educáveis outra vez. Quando nos abrirmos para novas ideias e quisermos experimentá-las, descobriremos que tudo é possível enquanto estivermos abertos e dispostos a aprender com alguém em recuperação e esse processo de um dia de cada vez vai se renovando.
Já a boa vontade é necessária para tentar algo novo, pois vivíamos repetindo os mesmos erros, esperando resultados diferentes. Admitir que preciso muito aprender, principalmente a conviver comigo mesmo e viver sem usar nada que modifique meu humor, é imprescindível.
Quando no segundo passo usam-se as palavras devolver e não dar a sanidade, subentende-se, portanto, que já tivemos ou fomos sãos em algum momento da vida.
Mas quando olho para o passado, vejo e sinto como a insanidade tomou conta de toda a minha trajetória. Sempre me senti o ‘pior’, o mais ‘louco’, pois trilhei sempre o caminho mais tortuoso, procurei atalhos, cortejei doenças fatais, degradações, destruições e morte violenta. Tudo isso por completa estupidez e, nisso, só consigo enxergar um rastro de insanidade.
Porém, voltando para minha infância, descobri que era ‘são’ quando acreditava em Papai Noel, em bicho-papão… Afinal, nessa época, não havia questionamentos, pois eu simplesmente acreditava.
Quando o pai ou a mãe dá a mão a uma criança para atravessar a rua, ela não fica olhando se vem carro, ela atravessa confiante, pois tem alguém no controle. Precisamos, agora, que nossa fé se torne fé pura como da criança para nos tornar aptos a sermos devolvidos à sanidade.
Quando me exponho a esse pensamento, compreendo melhor a frase da Bíblia que diz: ‘se quiser entrar no reino de Deus, tenho que me tornar uma criança’. Compreendo, ainda, que esse reino está dentro de mim mesmo e devo buscá-lo primeiro e tudo o mais me virá por acréscimo.
Assumo que sempre fiz da minha vida uma busca incessante por coisas materiais, voltando todas as minhas ações para prover o máximo de bens que pudesse para garantir minha sede de sucesso. Ledo engano! Nada podia me preencher, pois sempre queria mais. Havia sempre um vazio que, por muito tempo, foi preenchido com o uso abusivo de álcool e drogas.
Fato é que, quando admitimos e nos rendemos perante nossa adicção, abrimos espaço em nossa espiritualidade para abrigarmos o Deus de nossa compreensão e, por consequência, nos ser acrescentado tudo o que precisamos para ser alegres, felizes e encontrarmos sentido amplo para a vida e serenidade para todos os filhos de Deus.
Quando venho a acreditar, com fé inabalável, que existe um Poder Superior a mim mesmo e que Ele está dentro de mim e orienta todos os meus sentimentos e atividades, estarei pronto para o terceiro passo”. (continua)