O terceiro passo do Narcóticos Anônimos


Presença de Deus em nossa vida traz-nos superação e suporte para não fugir na busca pelo álcool e drogas

Nesta edição, Vitório (nome fictício) apresenta o terceiro passo do Narcóticos Anônimos (N.A.). “Aceitei, rendi-me, vim a acreditar e decidi colocar nas mãos de Deus minha vida e minha vontade. Este é um passo grandioso e decisivo, pois a decisão provoca uma ação.
Perguntei a um companheiro com mais tempo de caminhada como foi esta entrega e ele respondeu: ‘Rendi-me calmamente e deixei que Deus, da forma como o compreendo e que funciona para mim, tomasse conta de todas as áreas de minha vida’.
Esta entrega parece simples e fácil, porém, como resultado das minhas práticas religiosas e espirituais, tornou-se longa e dolorosa, pois, na minha concepção humana, queria compreender e entender como e de que forma Deus iria agir na minha vida.
No fundo do meu coração, havia uma dúvida, velhos fantasmas, traumas adquiridos, as constantes derrotas e os fracassos, o que me deixavam titubeante perante as ações firmes que haveriam de ser tomadas de agora em diante.
Novamente, consultei este que seria meu padrinho em recuperação. Como Deus vai cuidar da minha? Será que mereço a atenção e amor de Deus? Ele já tem tantas coisas mais importantes que eu para cuidar, e meu padrinho respondeu: ‘Quando você aciona o botão do interruptor para acender uma lâmpada, fica se perguntando como será que a lâmpada se acende. Será a junção do positivo com o negativo?
Mas simplesmente aciono o botão e tenho a absoluta certeza que a lâmpada irá se acender. Assim tem que ser quando me relaciono com Deus, pois devo acreditar com a fé de criança. Entrego e pronto! Estou certo que serei atendido. Afinal, sou filho de Deus. De que terei medo?
Lógico que a recuperação não irá nos livrar de viver situações dolorosas. Em certos momentos, haverá a morte de alguém querido, poderemos perder o emprego, um relacionamento poderá chegar ao fim, um acidente, uma doença… Quando isso acontece, não há consciência espiritual que remova nossa dor. Portanto, a presença de Deus, intimamente em nossa vida, traz-nos superação e suporte para não fugir na busca pelo álcool e pela droga.
Assim, paramos de questionar porque os fatos dolorosos acontecem e, ao atravessar esses momentos difíceis, nos tornamos mais fortes e espiritualizados, aprendendo a acerca de nós mesmos e como lidar com o mundo.
Quando somos honestos e sinceros nessa entrega, começamos a sentir paz e serenidade e mudamos nossa maneira de pensar e reagir. Nossas atitudes e ideias tornam-se positivas e o nosso mundo deixa de ser distorcido pela autopiedade, ressentimento e medo. À medida que experimentamos este novo modo de vida, começamos a dar valor à recuperação. Quando confiamos, portas se abrem, amizades se estreitam, relacionamentos tornam-se saudáveis, uma alegria nunca antes experimentada nos invade, começamos a nos permitir e a sentir os acontecimentos alegres e tristes. Assim, nasce uma nova maneira de viver.
Importante lembrar que há áreas em nossas vidas que hesitamos em entregar, por isso, nos agarramos ao desejo de controlar, para aliviar o fardo que carregamos, porém, temos que ser enfáticos na entrega de todas as áreas de nossas vidas, mesmo aquelas que escondemos e que nos fazem sentir vulneráveis.
Quando percebemos que estamos controlando algo ou a vida de alguém, paramos e pedimos a Deus que nos ajude a praticar este passo. Às vezes, é difícil renunciar o controle que sempre achamos que tivemos, mas, com a prática diária, afastamos nossos egos. Agora, seguros de estarmos nas mãos de um Deus amoroso, podemos dizer: ‘Deus, tome minha vida e minha vontade. Oriente-me em minha recuperação e mostre-me como viver’. A decisão tomada neste passo indica-nos a necessidade do autoconhecimento, que será o resultado do quarto passo”. (continua)