Pacientes reclamam da falta de remédios


Segundo queixas da população, na Farmácia Municipal de Tietê, medicamentos como sinvastatina e citalopram já não são encontrados

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, são mais de 320 itens distribuídos gratuitamente

Nesta semana, usuários da Farmácia Municipal de Tietê relataram problemas com a aquisição de medicamentos ofertados pela mesma.
Segundo queixas, faz meses que a referida farmácia não tem em seu estoque medicamentos como sinvastatina e citalopram.
Como muitos não dispõem de recursos financeiros para comprá-los, os pacientes estão preocupados quanto a seu estado de saúde por não ter acesso aos medicamentos para o devido tratamento.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde e Medicina Preventiva, a Farmácia Municipal acabou de passar por uma pequena reforma, a qual foi realizada visando ofertar maior conforto e qualidade de atendimento aos usuários. Hoje, ela conta com uma área maior para recepção e atendimento, inclusive, um ambiente próprio para as crianças, com disponibilização de brinquedos.
As áreas de guarda dos medicamentos também foram reorganizadas, especialmente no que diz respeito aos medicamentos controlados, que possuem exigências legais distintas, as quais foram completamente atendidas com a nova reorganização. A equipe de profissionais também foi reformulada, hoje conta com três farmacêuticas se dividindo no atendimento aos usuários, tanto da Farmácia Básica quanto na Farmácia de Medicamentos de Alto Custo.
Ainda segundo a secretaria, em relação às reclamações de falta de medicamentos na Farmácia Básica, há que se considerar alguns aspectos e particularidades.
“Há menos de uma década atrás, a Farmácia Municipal atendia uma média de 2.500 receitas por mês, hoje, esse atendimento triplicou e sabemos que há grande tendência, devido à situação atual do País e à migração de pessoas que, por exemplo, possuíam plano de saúde privado e, hoje, não conseguem mais mantê-los, de que esse número aumente ainda mais”, explicou.
Secretaria informou, ainda, que o repasse financeiro do Ministério da Saúde para a Assistência Farmacêutica no município é de R$5,10 habitante/ano, ou seja, o correspondente a R$209.212,20/ano (população atual de Tietê: 41.022 habitantes). Já o repasse da Secretaria de Estado da Saúde é de R$2,36 habitante/ano, ou seja, o correspondente a R$96.811,92. “Neste ano de 2018, até o mês de abril, tivemos como despesa na Assistência Farmacêutica, o valor de R$322.747,07, ou seja, os próximos dois quadrimestres do ano serão mantidos financeiramente com recursos próprios da Secretaria de Saúde e Medicina Preventiva”, comunicou.
Ainda de acordo com a secretaria, se essa despesa se mantiver dessa forma, haverá gasto de R$15,73 hab./ano, ou seja, o triplo do considerado pelo Ministério da Saúde.
Segundo a legislação relacionada à Política Nacional de Medicamentos, os municípios devem elaborar suas Relações Municipais de Medicamentos Essenciais (Remume), tomando como base a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename), que conta com 180 itens em seu Componente Básico de Medicamentos.
Cidades grandes, como por exemplo, Sorocaba e Piracicaba, possuem suas Remumes, as quais têm em seu leque de medicamentos 117 e 127 itens, respectivamente, para distribuição gratuita aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Cabe lembrar que Sorocaba conta com uma população de 659.871 habitantes e, Piracicaba, por sua vez, com 397.322 habitantes.
“Em Tietê, ainda não conseguimos padronizar uma lista de medicamentos, ou seja, elaborar a Remume, exatamente por ter um leque muito extenso de oferta de medicamentos. São mais de 320 itens distribuídos gratuitamente aos usuários tieteenses, lembrando que Tietê possui uma população de 41.022 habitantes, portanto, uma realidade muito distinta das outras cidades citadas como exemplos”, explicou a secretaria.
Ainda segundo informou a secretaria, a falta (vez ou outra) de algum medicamento pode se dar por isso, pois são muitos medicamentos para se conseguir manter um estoque de todos os itens. “Essa situação vem de herança de gestões passadas que trabalharam com essa política de abertura, a qual hoje, diante da situação geral, não tem como ser mantida, pois há que se estabelecer uma padronização e, também, critérios para a distribuição gratuita de medicamentos”, finalizou a Secretaria Municipal de Saúde.