Presidente da Avac anuncia paralisação das feirinhas


Segundo Marco Antonio Sicchierolli, associação de Cerquilho passará a realizar somente as atividades inseridas no estatuto

Marco Antonio Sicchierolli nasceu em 14 de março de 1965, em São Paulo, tem nível Superior em Tecnologia em Segurança Pública pela Polícia Militar (PM) do Estado de São Paulo, além de ser policial militar reformado.
Está casado com Silvia Regina Bom Sicchierolli e, ao lado dela e de outros cidadãos, preside o trabalho da Associação Voluntários Anônimos de Cerquilho (Avac), que trata da causa animal.

NF – Como presidente, esclareça qual a função da Avac e por qual razão foi criada?
Marco Antonio – A Avac tem como principal função ou atividade, inserida em seu estatuto, a castração de cães e gatos de pessoas de baixa renda. Criada por um pequeno grupo de pessoas voluntárias da sociedade cerquilhense, amantes dos animais, a Avac reúne todos eles para minimizar o sofrimento e promover melhor qualidade de vida aos animais, principalmente para os cães e gatos de Cerquilho.

NF – É fato que a Avac deixará de realizar as feirinhas de doação de animais que ocorrem aos sábados na Agroterra, bem como atendimento de denúncias de maus-tratos e resgates de animais? O que houve e o que levou a associação a tomar a decisão?
Marco Antonio – Estamos interrompendo por tempo indeterminado as atividades no que diz respeito ao atendimento de denúncias de maus-tratos, resgates de animais e doações dos mesmos nas feirinhas. Ainda que contra nossa vontade, tomamos essa decisão porque, há vários anos, temos realizado um trabalho que, por lei, deveria ser feito pelo Poder Público.
Porém, o mesmo atua com total inércia e descaso para com os animais, independentemente de já existir ação cível que tramita desde 2012, a qual obrigará a Prefeitura a realizar tais atividades.

NF – Como está essa ação cível pública que tramita desde 2012 na Justiça e que determina que a Prefeitura de Cerquilho construa um Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e passe a executar serviços de recolhimento, reabilitação, castração, conscientização e doação dos animais da cidade?
Marco Antonio – Valendo-se de recursos, a Prefeitura simplesmente tem deixado o tempo passar, aguardando, assim, qualquer iniciativa para a próxima administração. Pelo menos é a impressão que nos deram até agora, que é a de estar esperando o tempo passar e chegarem às próximas eleições.

NF – A que se deve a Prefeitura de Cerquilho ainda não ter o seu CCZ operante para atender, abrigar, castrar e doar os animais de rua e em situação de risco? Hoje, sabe-se quanto custaria isso para a Prefeitura?
Marco Antonio – Esses dados quantitativos nós não temos, mas sabemos que, para tal, seriam necessários, após a escolha de local adequado, um projeto técnico para sua construção, um processo licitatório para a compra dos materiais e a disponibilização de mão de obra adequada para a construção da edificação, bem como para o aparelhamento material e humano para o início dos trabalhos. Sabemos que tudo isso demanda tempo e não fica barato, porém, entra ano, sai ano e não se fala em incluir tal projeto na dotação orçamentária do município.

NF – No seu ponto de vista, qual a explicação da Prefeitura que, por lei, é responsável pelos animais de rua não mostrar interesse em promover atividades em conjunto pela causa animal, assim como o Poder Legislativo não abraçar a causa? Qual explicação para não haver qualquer entendimento entre Avac, Prefeitura e Câmara?
Marco Antonio – Entre a Prefeitura e a Câmara, não sei lhe responder, porém, entre os órgãos citados e os protetores de animais, acredito que isso não ocorra somente em Cerquilho. Em quase todos os municípios que tivemos a oportunidade de conhecer os trabalhos realizados, enxergamos a questão dos protetores que pensam e agem com o coração. Já o funcionalismo público em geral, independente da esfera de atuação, trabalha com números, os quais, no meu ponto de vista, não são e nunca serão mais importantes que as vidas, sejam de quem for.

NF – Hoje, como está o convênio entre Prefeitura e a clínica veterinária autorizada para o atendimento dos animais atropelados, envenenados ou vítimas de maus-tratos? Ele funciona de maneira eficiente e, se atendidos pelo convênio, o que ocorre com os animais depois de receberem alta médica?
Marco Antonio – A clínica veterinária conveniada com a Prefeitura de Cerquilho nada deixa a desejar em seu atendimento. Inclusive no que diz respeito aos mutirões de castração realizados em parceria com a Avac (sem a ajuda do Poder Público), já alcançamos a marca de 19 edições em Cerquilho, sendo que, da quinta em diante, foram realizados na clínica veterinária em questão.
Problema enfrentado pela Avac em relação à clínica conveniada é sobre o protocolo de atuação exigido pela Prefeitura, através do Setor de Zoonoses, responsável por realizar o trabalho de recolhimento dos animais das ruas e castração das fêmeas (os machos são castrados pela Avac). Ocorre que estes animais, se não forem doados por nós ou pela própria clínica conveniada antes do fim do restabelecimento e da alta médica, eles são colocados nas ruas novamente, no mesmo endereço onde foram achados. Graças a Deus, até agora, temos conseguido, no mínimo, um lar temporário, quando não, um lar definitivo.

NF – O que falta para ser criada uma legislação municipal em Cerquilho que beneficie os animais e abranja a questão dos maus-tratos, do abandono, da posse responsável, da obrigatoriedade da castração, dentre outras?
Marco Antonio – Em abril do ano passado, após muitas pesquisas realizadas por nós e pelo nosso Jurídico, a Avac entregou a Lei Municipal de Americana como modelo para uma vereadora da cidade, porque essa foi a que mais se aproximou da realidade de Cerquilho.
Soubemos que esse material foi entregue pela vereadora em questão ao prefeito Aldo Sanson, que provavelmente o leu e colocou em alguma gaveta. Nessa solicitação, constava que um representante do Ministério Público local nos deu a sugestão viável de nos reunirmos com o Departamento Jurídico da Prefeitura para realizarmos, em conjunto, as adaptações necessárias para a apresentação da mesma em plenário no Poder Legislativo e, posteriormente, após aprovação, ter a sanção do prefeito.

NF – Considerações finais:
Marco Antonio – Gostaria de deixar claro que, por meio dessas declarações, a Avac não tem objetivo de atacar diretamente o Poder Público nem tem intenção de digladiar com esse ou aquele prefeito, os quais têm sim sua parcela de culpa por não ter feito nada do que foi citado e daquilo que ainda falta em Cerquilho.
Porém, grande parte da população também tem sua parcela de responsabilidade quanto aos tratos com animais, pois ainda existe falta de conscientização. Falta entre as pessoas o entendimento de que, ao se adotar um animal, seja ele gato ou cachorro, este pertencerá à família, terá vida útil, em média de 15 anos, e será totalmente dependente de você para tudo. Seja para alimentação, água fresca e limpa, assim como para vacinas, vermífugos, consultas no médico-veterinário (quando necessário), além de espaço adequado para o animal se exercitar, carinho e atenção por parte de todos os membros da casa. As pessoas precisam entender que cães e gatos são seres sencientes, ou seja, têm sentimentos. Além de fome, sede, dor, frio e calor, sentem alegria e tristeza, dentre outras peculiaridades, igual aos seres humanos.
Portanto, eles não podem ser tratados como objeto descartável ou mera figura decorativa em uma casa que, quando se enjoa, simplesmente se descarta na rua. Tenho certeza que, quando os animais racionais conseguirem perceber o quanto os irracionais têm para nos ensinar, nosso planeta será muito melhor para todos.