Retirar os excessos!


A vida humana é uma constante experiência de travessia. Todos nós estamos em fugas contínuas, em processos de deslocamentos intermináveis, porque, enquanto estivermos vivos, seremos convidados para o movimento que nos proporciona alguma superação de estágios, condições e atitudes. Na verdade, o ser humano se encontra em constante evolução, pois nunca estará completo. A morte nos surpreenderá e ainda estaremos em processo de feitura.
Ocorre que nascemos indivíduos, mas a condição de pessoa é um lugar a ser alcançado, ou seja, ser pessoa consiste em “dispor de si e dispor-se aos outros”. Mas nisso há um perigo!  Ao se dispor em excesso aos outros, você pode acabar por se perder de si mesmo. Há que se ter cuidado, há que se ter cautela. Toda relação que priva o ser humano de sua disposição de si caracteriza-se como algo que pode causar um mal-estar psicológico, ou seja, que lhe retira da centralidade de suas próprias decisões.
São muitos exemplos disso. Qualquer forma de relação humana corre o risco de se transformar em roubo, em perda de identidade, basta que as partes se percam de seus referenciais e se ausentem de si mesmas. Por isso que as pessoas precisam sempre trabalhar a questão da realidade, pois é ela quem estabelece pontes e gera entendimento e superação.
A vida ensina que temos que valorizar as relações que nos permitem o crescimento e a superação de nossos limites, sendo capazes de estabelecer pontes que nos permitem travessias. Por outro lado, é preciso aprender dizer não àquelas relações que nos paralisam e nos fazem retroceder. Um bom caminho a seguir é ter consciência dos fatos e deixar Deus ganhar espaço em nós.
Dos relacionamentos que já teve, quais foram as ocasiões em que verdadeiramente você foi modificado para melhor? Será que você é lembrança doída na vida de alguém? Será que já construiu cativeiros ou será que já viveu em algum? Sejam quais forem as respostas, não tenha medo delas. Perguntar-se é uma maneira interessante de se descobrir como pessoa, pois as perguntas são pontes que nos favorecem travessias.
Na verdade, o que falta, muitas vezes, para nós podermos resolver os nossos problemas é a simplicidade em enxergá-los. Retirar os excessos. Não permitir que os nossos excessos venham obscurecer nossa visão ou, até mesmo, de nos impedir de encaminhar uma solução para aquilo que nos faz sofrer. Isso é ter fé! É a gente acreditar que Deus está do nosso lado no momento da nossa luta, no momento da nossa dor e que, portanto, a gente tem o direito de ser simples.
Quem traz no coração a certeza de que Deus é por ele, tem mais facilidade de adentrar nesse território da simplicidade, porque não se sente sozinho sendo simples. Por isso, lembre-se sempre: onde houver um ser humano realizado, nele Deus estará revelado. Afinal, Deus é simples!