Saiba quem foi Anísio Spínola Teixeira


Nesta edição, o Nossa Folha prossegue com a série de reportagens sobre a vida de líderes de movimentos culturais, sociais e políticos

Última biografia sobre líderes de movimentos culturais, sociais e políticos do Brasil publicada pelo jornal Nossa Folha foi a de André Pinto Rebouças.
Nesta edição, é a vez de Anísio Spínola Teixeira, importante teórico da Educação no Brasil. Foi o principal idealizador das grandes mudanças que ocorreram na Educação brasileira no século 20. Fez parte do movimento de renovação do ensino chamado de Escola Nova.
Anísio Spínola Teixeira nasceu em Caetité, no sertão baiano, em 12 de julho de 1900. Filho de fazendeiros, estudou no colégio jesuíta “São Luís Gonzaga”, em sua cidade natal. Em 1914 ingressou no colégio “Antônio Vieira”, em Salvador, e cursou Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), formando-se em 1922.
De volta à Bahia, em 1924, foi nomeado inspetor-geral de ensino e, no ano seguinte, viajou pela Europa, observando os sistemas de ensino, e esteve na Espanha, Bélgica, França e Itália. Regressou à Bahia e passou a desenvolver uma série de mudanças na Educação do Estado. Em 1927, foi aos Estados Unidos buscar conhecimentos sobre as ideias do filósofo e pedagogo John Dewey. No ano seguinte, demitiu-se do cargo por não ter o apoio do novo governador.
Em 1928, voltou aos Estados Unidos, e lá concluiu pós-graduação e, em 1929, obteve o título de mestre em Educação no Teacher’s College da Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque. Nessa época, conheceu o educador John Dewey. Nesse mesmo ano, regressou ao Brasil e assumiu a cadeira de Filosofia e História da Educação na Escola Normal de Salvador.
Em 1931, mudou-se para o Rio de Janeiro sendo, então, nomeado diretor de Instrução Pública do Distrito Federal. Nessa época, criou rede municipal de ensino que integrava da escola primária até a universidade. Também fez parte do grupo de educadores interessados em remodelar o ensino no País, oferecendo ensino livre e aberto. Esse movimento foi chamado de “Escola Nova”, que ganhou maiores proporções com a divulgação do “Manifesto da Escola Nova”, em 1932.
Em 1935, criou a Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro e, em 1936, perseguido pela Ditadura Vargas, demitiu-se do cargo de diretor e regressou para a Bahia.
Em 1946, Anísio Teixeira foi nomeado conselheiro geral da Unesco e, em 1947, assumiu novamente a pasta da Educação do Estado da Bahia. Nesse período, criou a Escola Parque, em Salvador, que se tornou novo modelo de educação integral.
Em 1952, esteve à frente do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, realizando trabalhos para a valorização da pesquisa educacional no País.
No fim dos anos 1950, participou de debates para a implantação da Lei de Diretrizes e Bases. Junto de Darcy Ribeiro, fundou a Universidade de Brasília, tornando-se reitor em 1963. No ano seguinte, com a instalação do governo militar, deixou o instituto (que hoje leva seu nome) e foi aos Estados Unidos, onde passou a lecionar na Universidade de Colúmbia e na Universidade da Califórnia. Em 1966, voltou ao Brasil e tornou-se consultor da Fundação Getúlio Vargas.
Anísio Teixeira escreveu os livros A Universidade e a Liberdade Humana (1954) e Educação no Mundo Moderno (1969).
Faleceu no Rio de Janeiro em 11 de março de 1971, em circunstâncias misteriosas.