Saiba quem foi Ernesto Júlio Nazareth


Nesta edição, o Nossa Folha prossegue com a série de reportagens sobre a vida de líderes de movimentos culturais, sociais e políticos

Última biografia sobre líderes de movimentos culturais, sociais e políticos do Brasil publicada pelo jornal Nossa Folha foi a de Mílton de Oliveira Ismael Silva. Nesta edição, é a vez de Ernesto Júlio Nazareth, conceituado pianista e compositor brasileiro, que teve papel fundamental na cultura brasileira dos séculos 19 e 20.
Nazareth nasceu em 20 de março de 1863, no Rio de Janeiro. Era filho de Vasco Lourenço da Silva Nazareth, um despachante aduaneiro, e de Carolina Augusta da Cunha Nazareth, dona de casa e pianista amadora. Com três anos, começou a despertar interesse pela música ao ouvir a mãe executando peças de Chopin, Beethoven, entre outros. Com ela, aprendeu as primeiras noções do instrumento.
Em 1874, após a morte da mãe, passou a receber aulas com Eduardo Rodrigues de Andrade Madeira, amigo da família. Também foi aluno de Charles Lucien Lambert, famoso professor norte-americano radicado no Rio de Janeiro. Com 14 anos, compôs sua primeira música, Você Bem Sabe, uma polca-lundu dedicada ao pai. Já com 16 anos, fez a primeira apresentação pública em um recital no salão do Clube Mozart.
Em 1883, com 20 anos, já era compositor, intérprete e professor de piano. Em 1886, casou-se com Theodora Amália Leal de Mairelles, 11 anos mais velha, com quem teve quatro filhos. Dez anos depois, em 1893, escreveu Brejeiro, seu primeiro “tango brasileiro”, que se tornou sucesso nacional. Seu primeiro concerto ocorreu em 1898, no salão nobre da Intendência de Guerra.
Em 1902, teve sua música Está Chumbado gravada em disco pela Banda do Corpo de Bombeiros, com regência de Anacleto de Medeiros. Em 1904, sua composição Brejeiro acabou gravada pelo cantor Mário Pinheiro, com o título Sertanejo Enamorado, com letra de Catulo da Paixão Cearense.
Entre 1910 e 1913, passou a se apresentar na sala de espera do cinema Odeon, onde muitos frequentavam só para ouvir o pianista. “Odeon” acabou sendo nome de um de seus tangos mais famosos. Ainda em 1913, editou 11 de suas composições, entre elas, a polca Ameno Resedá, as valsas Confidência e Eponina e os tangos Atrevido, Batuque, Fon-Fon!, Reboliço e Tenebroso. Em 1914, sua polca Apanhei-te Cavaquinho! fez grande sucesso. Também trabalhou na Casa Carlos Gomes.
Em 1926, iniciou turnê pelo Estado de São Paulo, quando realizou recitais na capital, em Campinas, Sorocaba e Tatuí. Entre 1928 e 1929, teve músicas gravadas por Francisco Alves e Vicente Celestino. Ainda em 1929, participou do Festival do Instituto Nacional de Música, onde se apresentaram cantores amadores, entre eles, Carmem Miranda, com apenas 19 anos. Nesse mesmo ano, sua esposa faleceu, o que o deixou bastante abalado.
Em 1930, terminou sua última composição, Resignação, e, em janeiro de 1932, em companhia das filhas, foi de navio para o Rio Grande do Sul. Fez apresentações em diversas cidades, mas, diante dos problemas auditivos, quase não ouvia o que tocava.
Nazareth vivia em uma casa em Ipanema desde 1917 e, no fim dos anos 1920, seu problema de audição, resultante de uma queda que sofrera na infância, foi agravado. Em 1932, acabou diagnosticado com sífilis e, em 1933, internado na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá.
Em 1º de fevereiro de 1934, Nazareth fugiu do manicômio. Seu corpo só foi encontrado três dias depois, em estado de decomposição, flutuando nas águas da represa que abastecia a Colônia. Jamais foi possível determinar a causa de sua morte. Foi sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier, no Caju, mesma região da cidade onde nascera.