Saiba quem foi Euclides Rodrigues da Cunha


Nesta edição, o Nossa Folha prossegue com a série de reportagens sobre a vida de líderes de movimentos culturais, sociais e políticos

Última biografia sobre líderes de movimentos culturais, sociais e políticos do Brasil publicada pelo jornal Nossa Folha foi a de Antônio da Silva Jardim, conhecido como Antônio Conselheiro.
Nesta edição, é a vez de Euclides Rodrigues da Cunha, filho de Manuel Rodrigues Pimenta da Cunha e Eudóxia Moreira da Cunha. Nascido no Cantalago, no Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 1866, ficou órfão de mãe aos três anos e foi educado pelos tios. Durante sua infância, passou por diversos colégios, como São Fidélis e Aquino.
Junto de aproximadamente sete amigos, fundou o Jornal O Democrata, em meados de 1883 e 1884. Desde então, começou a escrever versos em sua caderneta, a qual deu o nome de “As ondas”. Após isso, prestou exames até ingressar na Escola Politécnica para prosseguir os estudos e, depois de cerca de um ano, ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha.
Apesar de admitido na Escola Militar, durante revista às tropas, o escritor lançou sua arma aos pés do ministro da Guerra, Tomás Coelho. Após este ocorrido, entrou em disciplina, saindo do Exército em 1888. Entretanto, reintegrou-se com promoção depois da Proclamação da República, tornando-se primeiro-tenente e bacharel em Matemática, Ciências Físicas e Naturais na Escola Superior de Guerra.
Euclides da Cunha deixou a Escola de Guerra em 1891 e ocupou o novo cargo de coadjuvante de Ensino da Escola Militar. Na época da insurreição de Canudos, em 1897, escreveu dois artigos que se chamavam “A nossa Vendéia”.
Com a divulgação dos mesmos, Euclides da Cunha foi convidado pelo Estado de São Paulo para estar presente no fim do conflito. Assim, documentou todo o ocorrido e depois enviou aos jornais as suas reportagens, que se transformaram no seu célebre livro Os sertões.
Euclides da Cunha terminou o livro em 1898, quando morava em São José do Rio Pardo, onde até hoje se conserva sua memória. O livro foi publicado em 1902 e intitulado pela crítica uma obra-prima, misturando ensaio, história e ciências naturais.
O escritor, professor, sociólogo, repórter jornalístico, historiador e engenheiro brasileiro é reconhecido na Literatura Brasileira como uma das maiores obras do País de teor literário e científico. Apesar de exercer diversas funções em sua trajetória, Euclides da Cunha marcou sua história com sua escrita.
Em 21 de setembro de 1903, foi eleito para ocupar a cadeira número sete da Acadmia Brasileira de Letras (ABL) como sucessor de Valentim Magalhães.
O escritor encantou-se por Ana Emílio Ribeiro, filha do major Frederico Solon de Sampaio Ribeiro, um dos líderes da República, e casou-se com ela. Em 1909, Ana Emílio Ribeiro, mais conhecida por Ana de Assis, resolveu abandonar Euclides da Cunha e viver sua paixão com o tenente Dilermando de Assis, o qual Euclides da Cunha desconfiava ser o verdadeiro pai de um dos filhos dela. Então, decidiu matar o amante da sua esposa, mas Dilermando era campeão de tiro e agiu em legítima defesa, matando-o em 15 de agosto de 1909, em Piedade, no Rio de Janeiro. Absolvido pela Justiça, Dilermando casou-se com Ana de Assis.
Euclides da Cunha teve seu corpo examinado pelo médico e escritor Afrânio Peixoto, que assinou o laudo.