Saiba quem foi Heitor Villa-Lobos


Nesta edição, o Nossa Folha prossegue com a série de reportagens sobre a vida de líderes de movimentos culturais, sociais e políticos

Última biografia sobre líderes de movimentos culturais, sociais e políticos do Brasil publicada pelo jornal Nossa Folha foi a de Antônio Carlos Jobim, conhecido como Tom Jobim.
Nesta edição, é a vez de Heitor Villa-Lobos, maestro e compositor brasileiro, considerado um expoente da música erudita no Brasil. Até hoje suas peças são executadas no circuito dos mais prestigiados teatros europeus e norte-americanos.
Villa-Lobos nasceu no bairro de Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, em 5 de março de 1887. Filho de Raul Villa-Lobos, diretor da Biblioteca do Senado e músico amador, e da dona de casa Noêmia Monteiro, foram grandes incentivadores dos estudos do filho, na esperança de vê-lo formado em Medicina.
Autodidata, com seis anos, Villa-Lobos compôs a primeira peça para violão, baseada em cantigas de moda. Com oito anos, começou seu interesse por Bach. Apreciava também os ritmos populares. Conheceu os ritmos nordestinos quando frequentava com o pai a casa de Alberto Brandão, onde se reuniam os cantadores nordestinos. Aprendeu cedo a tocar violoncelo, clarinete e saxofone.
Com 12 anos, Villa-Lobos ficou órfão de pai e a família enfrentou sérias dificuldades financeiras. Para sustentar os oito filhos, a mãe Noêmia, acostumada à vida social, conseguiu emprego para lavar e engomar as toalhas e guardanapos da Confeitaria Colombo.
Com 16 anos, Villa-Lobos foi morar com uma tia. Encantado com os “chorões”, grupo malvisto pela nata da sociedade, frequentava o Cavaquinho de Ouro, loja de música onde os chorões recebiam convite para se apresentar em diversos lugares.
Em 1905, viajou para o Nordeste e extasiou-se com a riqueza do folclore. Em 1907, escreveu “Os Cantos Sertanejos” para pequena orquestra. Nessa época, buscando uma formação acadêmica, matriculou-se no curso de Harmonia, de Frederico Nascimento, no Instituto Nacional de Música, mas não se adaptou à disciplina dos estudos. Ganhava a vida tocando violoncelo, piano, violão e saxofone nos teatros e cinemas cariocas. Realizou alguns recitais com suas obras, mas recebia crítica por suas inovações musicais.
A Semana de Arte Moderna em 1922 projetou Villa-Lobos internacionalmente como criador original pela fusão dos ritmos folclóricos e populares com a música erudita.
Em 1923, com 36 anos, financiado pelo governo, desembarcou em Paris para mostrar seu talento, retornando em 1924. Em 1927, voltou à Europa, financiado pelo milionário Carlos Guinle. Nessas viagens, apresentou concertos de suas obras regendo importantes orquestras pelo continente.
O auge da criatividade de Villa-Lobos foi a década de 1930, quando compôs as “Bachianas Brasileiras”, suítes para diversas combinações de instrumentos que expressam a afinidade entre Bach e procedimentos melódicos e harmônicos à música popular instrumental brasileira.
Em 1931, ao excursionar por 54 cidades do interior paulista, inspirou-se para compor “O Trenzinho Caipira”, outra peça antológica.
Um episódio mais turbulento da vida pessoal do maestro ocorreu em 1936, em uma viagem a Berlim. Já em companhia da amante, mandou uma carta desmanchando o casamento de 23 anos com a pianista Lucília Guimarães para se unir a Arminda Neves d’Almeida, então com 24 anos (quando ele tinha 49), professora de música, com quem permaneceria até a morte.
Durante a ditadura do Estado Novo (1937-1945), quando era obrigatório o ensino de música nas escolas, o maestro foi secretário de Educação Musical e orientava os professores da rede pública sobre como ensinar música. Sob sua batuta, promovia apresentações de canto orfeônico que reunia estudantes em estádios de futebol.
Ressentido porque suas músicas eram pouco executadas no Brasil, Villa-Lobos costumava desabafar: “Não tive o justo reconhecimento em meu próprio País”. Depois da Segunda Guerra, iniciou uma turnê pelos Estados Unidos e pela Europa, onde suas peças eram executadas no circuito dos mais prestigiados teatros.
Villa-Lobos fundou e foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Música. Era membro da Academia de Belas Artes de Nova Iorque e recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Nova Iorque. Deixou mais de mil composições, com destaque para as “Bachianas Brasileiras”, em número de nove, entre elas, a de nº 4 para piano e a de nº 5 para soprano e conjunto de violoncelos, “Choro nº 2”, “Choro nº 5” e “Descobrimento do Brasil, 4 suites”.
Villa-Lobos faleceu em 17 de novembro de 1959, no Rio de Janeiro.