Saiba quem foi José Carlos do Patrocínio


Nesta edição, o Nossa Folha prossegue com a série de reportagens sobre a vida de líderes de movimentos culturais, sociais e políticos

Última biografia sobre líderes de movimentos culturais, sociais e políticos do Brasil publicada pelo jornal Nossa Folha foi a de Wilson Simonal de Castro.
Nesta edição, é a vez de José Carlos do Patrocínio, abolicionista, jornalista e escritor brasileiro que participou ativamente dos movimentos para libertação dos escravos.
José do Patrocínio nasceu em Campos, no Rio de Janeiro, em 9 de outubro de 1853. Filho do cônego João Carlos Monteiro, vigário de Campos, e da escrava Justina Maria, aprendeu as primeiras letras e recebeu certa proteção.
Com permissão do pai, foi para a capital, onde começou a trabalhar na Santa Casa de Misericórdia e, em 1868, com ajuda do professor João Pedro de Aquino, entrou para Faculdade de Medicina como aluno do curso de Farmácia. Formou-se em 1874 e, para sobreviver, passou a lecionar.
Em 1875, lançou um quinzenário satírico, Os Ferrões, que logo foi extinto. Em julho de 1876, escreveu um poema, com 12 estrofes, dirigido à princesa Isabel e publicado no periódico O Mequetrefe. No ano seguinte, pelas mãos de Ferreira de Araújo, entrou para a Gazeta de Notícias.
Em 1879, casou-se com sua aluna Maria Henriqueta e, com ajuda do sogro, comprou a Gazeta da Tarde. Em 1880, ocupou a tribuna do Teatro São Luiz para atacar a escravidão. Estava pronto para se dedicar à causa dos escravos, pois continuava preso sentimentalmente à senzala, de onde viera.
Na Província do Rio de Janeiro, havia um escravo para cada dois habitantes livres e, em 1883, reunido com representantes dos clubes e associações abolicionistas atuantes no Rio de Janeiro e em Niterói, propôs a criação da Confederação Abolicionista.
Da redação do jornal, a confederação coordenou a luta que se desenrolava em todo território nacional. Nessa época, viajou pelos Estados do Nordeste e, em 1984, esteve no Ceará, sempre em prol da causa abolicionista.
Em 18 de agosto de 1885, morreu sua mãe, nascida na costa ocidental da África, sem que tivesse chegado o dia da liberdade aos escravos.
Em janeiro de 1886, José do Patrocínio, Ubaldino Amaral e Quintino Bocaiúva foram os candidatos da confederação à Câmara Municipal. Nesse período, escreveu três romances: Mota Coqueiro, Os Retirantes e Pedro Espanhol. Foi eleito para a Câmara com grande votação.
Em 1887, deixou a Gazeta da Tarde e fundou o jornal A Cidade do Rio. Campanha popular pela abolição atingia o ápice e multiplicavam-se os comícios, os discursos e as manifestações de rua.
Em 3 de maio, das janelas do Senado, José do Patrocínio e Rui Barbosa discursaram diante de uma multidão que se reunia nas ruas próximas. No dia 8, o ministro Rodrigo Silva apresentou ao Parlamento o projeto final da abolição, redigido por Ferreira Viana.
Em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel, exercendo a regência em razão da viagem de Dom Pedro II à Europa, assinou a Lei Áurea. Chegava ao fim a luta de 10 anos de campanha abolicionista.
José do Patrocínio manteve-se ligado à Princesa Isabel, recusando a adesão aos republicanos. Os amigos da Confederação Abolicionista afastaram-se dele. O jornal A Cidade do Rio, aos poucos, perdia sua importância. Na manhã de 15 de novembro, a insurreição, chefiada por Deodoro da Fonseca, foi vitoriosa.
Antigo orador, José do Patrocínio viu o povo voltar-se contra ele. Por isso, cedeu e discursou apoiando a República. Em 6 de abril, em seu jornal, divulgou um manifesto escrito por generais e almirantes dirigido ao presidente. Floriano decretou estado de sítio e mandou prender José do Patrocínio, Olavo Bilac e outros.
José do Patrocínio foi confinado em Cucuí, às margens do Rio Negro, e, um ano depois, foi solto. Voltou, então, ao Rio de Janeiro, onde manteve seu jornal como órgão de oposição ao governo. Em 6 de setembro de 1893, a Marinha rebelou-se contra o presidente Floriano Peixoto, era a Revolta da Armada, e José do Patrocínio publicou um manifesto dos almirantes revoltosos. Floriano Peixoto mandou fechar o jornal. Era o fim de sua carreira de jornalista.
No ano de 1895, o jornal reabriu, mas, em 1902, deixou definitivamente de circular. Sem recursos, mudou-se para uma casa modesta em Inhaúma.
Em 1903, foi chamado para discursar em uma recepção oferecida a Alberto Santos Dumont, que chegara da França. Continuava escrevendo para alguns jornais, de onde tirava a sobrevivência. Em 1905, escreveu “Ave Rússia”, saudando a luta dos democratas contra o czarismo. Ao escrever um artigo para um jornal, em 18 de agosto de 1905, no Rio de Janeiro, passou mal e faleceu.