Saiba quem foi José Osório de Farias (Zé Rufino)


Nesta edição, o Nossa Folha prossegue com a série de reportagens sobre a vida de líderes de movimentos culturais, sociais e políticos

José Osório de Farias (tenente Zé Rufino) nasceu em 20 de fevereiro de 1906, em Pernambuco. Antes de assumir como comandante de força volante e ser apontado como o maior matador de cangaceiros da história do cangaço, foi um sanfoneiro afamado. Em uma das suas andanças pelo sertão das ribeiras do Pajéu e adjacências, no sertão de Pernambuco, Zé Rufino conheceu Lampião, o rei do cangaço. O primeiro encontro entre os dois sertanejos deu-se em terras do município de Salgueiro.
Na ocasião, Zé Rufino tocava em uma festa de casamento e Lampião era um dos convidados. A empatia do chefe dos cangaceiros com o sanfoneiro foi imediata. Assim, o rei do cangaço convidou Zé Rufino para ingressar ao seu bando.
Com muita habilidade, o futuro matador de cangaceiros respondeu que não poderia acompanhar o grupo, pois sua mãe já era idosa e, como “arrimo” de família, tinha os irmãos para criar. Além de tudo, não gostava de armas nem tinha nascido para aquela vida.
Passado um tempo, novo encontro reuniu Zé Rufino e Lampião e, mais uma vez, o rei do cangaço convidou o sanfoneiro para acompanhá-lo. Com medo de novamente negar o pedido do rei do cangaço, disse que, antes, precisaria solucionar problemas familiares. Diante disso, Lampião o liberou, entretanto, marcou a data para sua apresentação e, dessa vez, não aceitaria desculpas.
A partir daí, Zé Rufino tinha que decidir: entraria para o cangaço ou se apresentaria como soldado na volante, mas sabia que, como sanfoneiro, não ficaria mais, pois Lampião não o perdoaria.
Diante de uma decisão difícil, Zé Rufino optou por ingressar na polícia e seu destino, a partir dali, seria perseguir cangaceiros. Na Força Pública do Estado da Bahia, assentou praça em 2 de janeiro de 1934 e passou a compor as forças em operações no Nordeste.
Tempos depois, ao receber a esperada graduação, tornou-se o tenente Zé Rufino, que rapidamente chegou a oficial e alcançou a posição de coronel da Polícia Militar da Bahia. Ao participar de inúmeros combates e matar muitos cangaceiros, tornou-se um dos mais respeitados chefes militares na perseguição ao cangaço.
Estão na sua lista: Pai Véio, Mariano, Barra Nova, Zepellin, Zabelê, Azulão, Canjica, Catingueira, Maria Dórea, Meia-Noite, Pavão, Sabonete, Zé Sereno (chefe do Estado Maior de Lampião) e Corisco (o Diabo Loiro e braço direito de Lampião) que, sem dúvida, foi o que mais lhe rendeu fama.
Mas segundo conta a literatura sobre o cangaço, a morte de Lampião, após emboscada, teria ligação com o tenente Zé Rufino. Conta-se que, cansado de ver o estrago que o comandante fazia ao cangaço, Lampião ordenou que Corisco acertasse encontro na Grota de Angicos para dar fim à vida de Zé Rufino. Para Lampião, o tenente atrapalhava seus planos. Surpreendido pela volante, não houve tempo para colocar em prática a emboscada.
Tenente Zé Rufino foi um dos mais temidos perseguidores de cangaceiros e sua volante ficou famosa no sertão por cortar as cabeças dos cangaceiros mortos em combate.
Passados os anos das perseguições aos cangaceiros, Zé Rufino comprou fazendas na região de Jeremoabo, no Estado da Bahia, e lá viveu. Tanto que circulava pelas ruas da cidade e, ao chegar às barbearias, contava suas ações.
Segundo Boletim Geral Ostensivo da PM da Bahia, Zé Rufino faleceu em 20 de fevereiro de 1969, em Jeremoabo, e deixou a esposa Maria de Lourdes Vieira Farias e a filha Zélia Maria de Farias.