Saiba quem foi Luís Pereira da Silva Jacobina


Nesta edição, o Nossa Folha prossegue com a série de reportagens sobre a vida de líderes de movimentos culturais, sociais e políticos

Última biografia sobre líderes de movimentos culturais, sociais e políticos do Brasil publicada pelo jornal Nossa Folha foi a de Sebastião Pereira e Silva (Sinhô Pereira).
Nesta edição, é a vez de Luís Pereira da Silva Jacobina (Luiz Padre), nascido em 1891 nas Ribeiras do Pajeú (São Francisco), em Belmonte, Pernambuco, de uma família de cinco irmãos, sendo três homens e duas mulheres.
Era filho de Manuel Pereira da Silva Jacobina (Padre Pereira) e Francisca Pereira da Silva (dona Chiquinha Pereira), além de neto paterno do coronel Francisco Pereira da Silva e Ana de Sá e neto materno de Andrelino Pereira da Silva (Barão do Pajeú) e Maria Pereira da Silva. Também era primo de Sebastião Pereira da Silva (Sinhô Pereira) e ambos eram primos do empreendedor proprietário da Fábrica de Cimento Nassau, João Santos.
A fixação dos Pereira no Vale do Pajeú, em uma região que compreende hoje os municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, seu Distrito Bom Nome e parte de Flores, marcou época de desbravamento dos ermos sertões e da luta na disputa do espaço e da criação do gado em currais. Período foi uma autêntica epopeia, conhecido por ciclo do couro ou ciclo do gado.
Em novembro de 1848, na Comarca de Flores do Pajeú, eclodiu o primeiro conflito dessa que seria uma duradoura contenda. Em espaços alternados, vingou até 1922. Com a briga entre os Pereira e os Carvalho desde o início do Império, as duas famílias mandavam matar seus homens, de emboscada ou a descoberto, a tiro ou com arma branca.
Em 15 de outubro de 1907, aos 72 anos, morreu Manuel Pereira da Silva Jacobina (Padre Pereira), seminarista e pessoa sensata e de índole conciliatória, que passou a ser requisitado com frequência para apaziguar as rusgas familiares. Pessoa amada e respeitada pela família e por quase toda população de Vila Bela, Padre Pereira tinha sido o segundo prefeito de Vila Bela (1895-1898) e sua morte ocorreu por emboscada. Na cultura sertaneja, esse crime é ato covarde, traiçoeiro e desprezível. Chamam-no, pejorativamente, de crime de pé de pau. Para as pessoas daquela região, é atitude infamante e digna de repúdio.
Sobre os motivos do atentado contra Padre Pereira, existem algumas versões. A mais plausível é que tenha sido acerto de conta entre João Nogueira, casado com Benvenuta Pereira (Benuta), sobrinha da vítima e meia irmã de Sinhô Pereira, que insistia em requisitar a parte de terras na herança da esposa, uma vez que a mãe desta, Úrsula Alves de Barros, já havia falecido.
O sogro, Manoel Pereira da Silva, o “Manoelzinho da Passagem do Meio”, foi consultar o irmão (Padre Pereira) e esse opinou que não seria oportuno vender e partilhar suas terras naquele momento.
Isso resultou em inimizade e ódio por parte de João Nogueira contra Padre Pereira. Por conta disso, ele contratou os cabras Luis de França, Manoel Tomé e Mariano Mendes para eliminar seu desafeto. A comoção foi grande no seio da família Pereira, principalmente por parte da viúva, dona Chiquinha.
Na ocasião da morte do seu pai, Luiz Padre tinha 17 anos. Viúva e por questão de honra, dona Chiquinha exigiu a vingança da morte do marido. Muito novo, Luiz Padre não estava preparado para a missão. Por conta disso, pediu ajuda ao primo Né Pereira (Né Dadu), irmão de Sinhô Pereira, e, para serem assassinados, foram escolhidos Joaquim Nogueira de Carvalho e Eustáquio Bernardino de Carvalho. Isso aconteceu e, dias depois, Né Pereira foi assassinado pelos Carvalhos.
Assim, Sinhô Pereira se juntou ao primo Luiz Padre no desejo de vingar a morte do irmão e do tio. Os dois jovens mataram Luís de França, assassino de Padre Pereira, e formaram um grupo de jagunços. Juntos, incendiaram toda a região do Pajeú e quase acabaram com os Carvalho. Mais de 100 combates travaram com policiais de vários Estados nordestinos, além das lutas com os Carvalho, e se transformaram nos mais temíveis dos cangaceiros da época. Sinhô Pereira e Luiz Padre se intitulavam como cangaceiros de honra e por vingança.
Em 1918, já não era unânime a aceitação dos Pereira referente às atividades cangaceiras de Sinhô Pereira e Luís Padre. Existia no seio da família um desgaste psicológico, constante expectativa e sobressaltos, como também perdas econômicas.
Após a morte de dona Chiquinha, no Ceará, acometida pela epidemia da gripe espanhola, Sinhô Pereira e Luiz Padre resolvem abandonar o cangaço e seguirem ao Estado de Goiás. Para isso, dividiram-se para não despertar a curiosidade de transeuntes ou força policial. Intenção deles era se encontrarem no Estado do Piauí, próximo à Caracol, e seguirem a São José do Duro, hoje Estado de Tocantins, mas o grupo de Sinhô Pereira foi surpreendido pela força policial piauiense da época e teve que retornar a sua terra. Ao saber do ataque ao primo, Luiz Padre decidiu seguir viagem rumo ao Estado de Goiás.
Com nome fajuto de José Piauí, anos depois, já em Goiás, Luiz Padre avisou Sinhô Pereira (que passou a ser Chico Maranhão) o lugar onde estava e conseguiram se encontrar. Nunca preso, Luiz Padre morreu em 6 de abril de 1965, aos 74 anos, em Anápolis, Goiás.