Saiba quem foi Manoel Antônio dos Santos Dias


Nesta edição, o Nossa Folha prossegue com a série de reportagens sobre a vida de líderes de movimentos culturais, sociais e políticos

Última biografia sobre líderes de movimentos culturais, sociais e políticos do Brasil publicada pelo jornal Nossa Folha foi a de Antônio Silvino, o Rifle de Ouro.
Nesta edição, é a vez de Manoel Antônio dos Santos Dias, coronel e usineiro nascido em 1º de maio de 1838 na freguesia da Escada, cidade de Pernambuco que faz limite ao Norte com Cabo de Santo Agostinho e Vitória de Santo Antão. Era filho de Manoel Antônio Dias, senhor do engenho, e de sua segunda esposa Feliciana Teresa do Nascimento, que chegaram a ter nove engenhos naquela região.
Foi chefe político de prestígio em Escada e ocupou cargos de eleição popular. No antigo regime, militou na política liberal. Era membro da Guarda Nacional Imperial, onde iniciou com alferes e chegou a ser coronel. Em 1868, foi nomeado subdelegado do 2º Distrito de Escada; em 1880, juiz de paz também do 2º Distrito; e, em 1889, delegado.
Ao ser proclamada a República, coronel Santos Dias aderiu à nova forma de governo, sendo eleito prefeito de Escada, ao qual, durante todo o tempo de seu governo, prestou relevantes serviços.
Casou-se duas vezes. A primeira com Filonila Teresa Dias, falecida em 15 de fevereiro de 1891, com quem teve nove filhos. Pela segunda vez, foi casado com Águeda Aventina Pontual, irmã dos barões de Frexeiras Petrolina, mas não teve filhos.
Era dono da usina Santa Filonila construída no engenho Jundiá. Em 1895, recebeu concessão do Governo do Estado para construir nova usina no engenho Bonfim em terras do município de Amaraji. Também obteve empréstimo de 200 mil contos de reis para aquisição do maquinário. Usina foi chamada de União e Indústria. O Governo do Estado também subsidiou a construção de uma linha férrea ligando a estação de Frexeiras à usina União e Indústria, Primavera, seguindo até Amaraji. A estação de Amaraji foi inaugurada em dezembro de 1909 e, com a inauguração da União e Indústria, a usina Santa Filonila foi desativada.
Fato trágico ocorreu com a família do coronel. O cangaceiro Antônio Silvino, o Rifle de Ouro, foi à mata Sul do Estado para atender ao coronel e senhor de engenho Epaminondas de Melo Barreto, por quem conheceu os irmãos Eduardo e José Tavares de Melo, do engenho Arandu de Cima. Estes últimos contrataram Rifle de Ouro para atacar a casa-grande da Usina Santa Filonila, em Escada, e raptar Tereza Pontual dos Santos Dias Melo, esposa de José Tavares, deste afastada por desentendimentos.
Ocorre que Tereza era filha do coronel Santos Dias, dono da Ferro Carril de Pernambuco e um dos líderes da açucarocracia da época. Às seis horas de 10 de outubro de 1899, a casa-grande da usina Santa Filonila presenciou um tiroteio. Ataque, além de inútil, provocou a morte de criados do coronel, auxiliares da cozinha e da filha caçula do usineiro, a menina Feliciana dos Santos Dias, de 13 anos, que passou inesperadamente pela linha de fogo do próprio Antônio Silvino e foi fatalmente atingida.
Santos Dias faleceu em 13 de janeiro de 1905, aos 67 anos, no engenho Sapucagi, residência do seu genro Zenóbio Marques Lins, vítima de afecção cardíaca. Foi sepultado na capela da usina Santa Filonila, em Escada. Como gozava de grande simpatia, sua morte causou profundo pesar.