Saiba quem foi o cangaceiro José Aleixo (Zé Baiano)


Nesta edição, o Nossa Folha prossegue com a série de reportagens sobre a vida de líderes de movimentos culturais, sociais e políticos

Última biografia sobre líderes de movimentos culturais, sociais e políticos do Brasil publicada pelo jornal Nossa Folha foi a do tieteense Mário Ferreira dos Santos.
Nesta edição, é a vez de José Aleixo Ribeiro da Silva, conhecido como Zé Baiano, filho do cangaceiro Faustino Mão de Onça. Quando ainda era menino, foi tomado por uma imensa revolta quando sua mãe foi espancada e sofreu profundo corte no rosto por um soldado volante da força policial especializada contra cangaceiros.
Zé Baiano procedeu sua vingança marcando com ferro a irmã do agressor de sua mãe e, depois, continuou a praticar esse tipo de ato preferencialmente contra mulheres. Fez parte do bando de Lampião e, após a permissão do Capitão, matou também sua própria esposa, que o traiu com o também cangaceiro Bem-te-vi.
Esse foi seu último crime, pois, em 7 de julho de 1936, em Frei Paulo, em Sergipe, José Baiano foi esquartejado após uma bebedeira. Na ocasião, parte do seu bando foi vítima de emboscada liderada pelo cangaceiro Antônio de Chiquinho. Foi nesse pequeno pedaço de chão, encravado no meio do sertão sergipano, que perderia a vida o “Pantera Negra dos Sertões”, um dos mais cruéis cangaceiros que já písaram em terras nordestinas.
Alagadiço foi por muito tempo um coito seguro para Lampião e os vários subgrupos sob sua liderança. Para ali foi estabelecido o comando do famigerado cangaceiro de Chorrocho. Zé Baiano, negro alto, nariz achatado, “feio demais, parecia um gorila”, segundo informações de quem conviveu com a fera, passou a visitar costumeiramente as terras do Alagadiço e em especial a casa de um determinado morador, Antonio de Chiquinho, que passou a ser o principal coiteiro da região, indivíduo que dá asilo, favorece ou protege malfeitores.
Zé Baiano, entretanto, compensava a sua fealdade com a valentia e a riqueza. Seus companheiros diziam que ele tinha mais dinheiro e ouro que Lampião. E mais, ele era agiota. Emprestava dinheiro a vários comerciantes, assim, era fácil negociar com eles.
Zé Baiano ficou famoso por sua crueldade e desumanidade, sendo que dois episódios marcaram a ação do bandido: a morte da sua amada Lídia, surpreendida em adultério e morta a pauladas pelo companheiro, e a absurda prática de ferrar as muitas sertanejas que lhes caíam em desgraça.
Zé Baiano era apaixonado por Lídia e não se importava em demonstrar seu carinho. Escolhia os melhores pedaços de carne, dando-lhe na boca comida e água. Ainda limpava a boca de sua amada com guardanapo de linho, uma sofisticação nas caatingas e amor explícito. Mas Lídia era fogosa e, quando Zé Baiano viajava, ela dava umas escapulidas com os companheiros solteiros do bando.
Muitos sabiam, mas nenhum ousava dizer. Até que um dia, o cangaceiro Coqueiro flagrou Lídia com Bem-te-vi em pleno colóquio nas matas. Bem-te-vi era o oposto de Zé Baiano: bonito, alto, loiro e branco. Dizem que o romance foi longo e Coqueiro quis participar da brincadeira, sendo recusado por Lídia.
Com o retorno de Zé Baiano, Coqueiro não pensou duas vezes. Contou tudo o que viu e pagou com a vida sua delação. Já Lídia foi amarrada durante toda uma noite, enquanto seu companheiro pensava o que faria com ela. Lídia apelou para Lampião e Maria Bonita, mas o casal não interferiu.
Lídia teve uma morte cruel. Foi morta às pauladas ao amanhecer. Seu belo rosto ficou desfigurado. Zé Baiano a enterrou em uma cova rasa e chorou feito criança. Cumpriu à determinação do Código de Honra do Cangaço.