Saiba quem foram Araújo Motta e Carlos Magno


Nesta edição, o Nossa Folha prossegue com a série de reportagens sobre a vida de líderes de revoltas, guerras, conflitos e movimentos

Última biografia sobre líderes de revoltas, guerras, conflitos e movimentos sociais do Brasil foi a de Antônio Ferreira de Oliveira Brito. Nesta edição, é a vez de Oswaldo de Araújo Motta e Paschoal Carlos Magno.
Oswaldo de Araújo Motta, filho de Alberto Motta e Maria de Araújo Motta, nasceu em 6 de outubro de 1899, no Rio de Janeiro. Militar, cursou a Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, entre 1917 e 1919. De 1944 a 1945, já na patente de coronel, exerceu – em decorrência da entrada do Brasil na 2ª Guerra Mundial em 1942 – a função de ajudante-geral da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE), que se tornaria conhecida como Força Expedicionária Brasileira (FEB), unidade aglutinadora dos efetivos nacionais enviados ao teatro de operações de guerra na Itália.
Comandante da Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Infantaria, sediada no Distrito Federal, em 1953, de 1954 a 1955, Araújo Mota chefiou o Estado-maior da Zona Militar Leste, também sediada no Rio de Janeiro, e, em dezembro de 1956, assumiu o comando do 4º Exército, com sede em Recife, função a qual exerceu até fevereiro de 1957, sendo que, em outubro de 1961, assumiu, por nomeação do presidente João Goulart (1961-1964), a chefia do Estado-maior das Forças Armadas (EMFA). Já em dezembro de 1963, deixou o cargo e, em junho de 1969, foi reformado na patente de marechal.
Araújo Motta faleceu no ano de 1975, no Rio de Janeiro.
Já Paschoal Carlos Magno, filho de Nicolau Carlos Magno e Filomena Carlos Magno, nasceu em 13 de janeiro de 1906, também no Rio de Janeiro. Escritor e diplomata, bacharelou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, em 1929.
Maior parte da sua carreira de diplomata foi passada na Inglaterra, onde serviu de 1933 a meados da década de 1940, exercendo funções consulares em Manchester, Liverpool e Londres.
De volta ao Brasil em 1946, mais tarde, serviu na legação brasileira em Atenas (1950) e em Milão (1955). Em 1957, foi oficial de gabinete da Presidência da República, durante o governo de Juscelino Kubitscheck. Participou também da política, tendo sido eleito vereador no Distrito Federal em 1950, porém, foi como homem de teatro que Carlos Magno destacou-se. Criou, em 1929, a Casa do Estudante Brasileiro e, em 1938, o Teatro do Estudante do Brasil (TEB). Nesse meio tempo, foi diretor artístico da Companhia Jayme Costa. Com o TEB, realizou diversas viagens – as chamadas “Caravanas da Cultura” -, promovendo o teatro pelo País.
Em 1944, organizou o Curso de Férias, ponto de partida do Teatro Experimental do Negro e, em 1952, inaugurou, em sua casa em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, o Teatro Duse, com objetivo de promover trabalho de novos autores. Teatro Duse, então, passou a ser importante referência ao desenvolvimento da dramaturgia brasileira, vindo também a constituir laboratório de atores e diretores.
Fundou, ainda, a Aldeia de Arcozelo, em Pati do Alferes (RJ), área de 57 mil m² destinada a abrigar todas as artes. Escreveu, entre outras obras, Tempo que passa (1922), Drama de alma e sangue (1926), Desencantamento (1929), Pierrot (1930), a peça teatral Tomorrow will be different (1945), que seria lançada no Brasil em 1952, com o nome O amanhã será diferente, e Sempre seremos crianças (1947).
Carlos Magno morreu em em 24 de maio de 1980, no Rio de Janeiro.