Usina de Algodão Santa Adélia (parte 1)


Por Professora Laureine Foltram Valentim Milanez

Em torno de 1919, São Paulo tornou-se o maior Estado produtor de algodão do País, com aproximadamente 1/3 do total. Ficava assim assegurado o fornecimento de matéria-prima para a indústria têxtil.
Além disso, o plantio combinado de café e algodão, com maior ênfase no café, chegou a ser providencial para os fazendeiros, quando, em 1918, a geada devastou as plantações de café. Muitos deles se salvaram da ruína graças à produção algodoeira.
Fausto, Boris, 1930 – História Concisa do Brasil / Boris Fausto – 2ª edição – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006.
Com a indústria, o Brasil tomava novos rumos econômicos e a produção de algodão despertava interesse nos cafeicultores, imaginando que eles produziriam, além de algodão, também o tecido, ampliando assim os seus negócios financeiros.
instalação da usina de algodão – Foi com esse pensamento da nova economia algodoeira que vários empreendedores do século 20 resolveram expandir seus interesses econômicos. Na cidade de Tietê, Gathas Courie apostou nessa nova oportunidade em montar uma indústria. Por isso, comprou um terreno localizado na rua Francisco de Toledo, 150, no bairro Caixa d’Água, para construir uma usina de algodão. Terreno era de propriedade de Antônio e Pedro Marcuz. Na época, era uma chácara com um grande pomar medindo quatro alqueires de terra.
funcionamento da fábrica – Gathas Courie comprou a chácara e construiu um grande barracão de tijolos que, depois de pronto, foi ocupado por máquinas e operários, iniciando dessa  forma e a todo vapor as funções da fábrica de algodão.
Durante seu funcionamento, chegavam os caminhões vindos da roça, de todo lado da cidade, até de outros municípios. Eles chegavam, pesavam, descarregavam e despejavam o algodão na tulha, que era um buraco na terra. Na usina havia cinco tulhas e cada tulha era de um tipo de algodão.
A seguir, o algodão era levado para uma máquina. Nela, sugava e separava a semente da pluma por meio de um bico. De um lado saía a semente e, de outro lado, a pluma. Também usava outra máquina, essa imprensava a pluma fazendo os fardos de aproximadamente 180 a 200 quilos cada um. Por último, carregavam os caminhões para transportarem para São Paulo e Campinas. Em determinada época, a usina Santa Adélia chegou a funcionar dia e noite sem parar, contou para mim Davi Marcuz.
Nas tardes de fim de semana, especialmente as crianças,  os moradores vizinhos da usina de algodão aproveitavam a fábrica vazia e brincavam de esconde-esconde,  andavam de bicicleta e ainda faziam a festa.
Fato interessante era o aparelho de telefone com manivela. Na época, eram poucas as pessoas que tinham um telefone. Existia um na fábrica de algodão, outro telefone na residência de João Marcuz e mais um no Armazém de Urbano Formigoni. O telefone era de grande serventia para todos, operários e vizinhos, uma vez que era usado na usina a trabalho e também a recados dos vizinhos.
Continua…

Neste mês de março, a Usina Santa Adélia reabriu suas portas como um reviver para a sociedade, depois de passar por reformas e ter ficado uma belíssima edificação. Desse modo, tem o prazer de receber o público de Tietê e também de outras cidades em um sofisticado Bar & Balada. Vá conhecer o mais novo espaço social  na cidade, Bar & Balada Santa Adélia!