A falta de amor


Por Joani Corrêa Prestes

Em 31 de janeiro de 2015, um vídeo na internet mostrou um militante do Estado Islâmico decapitar o jornalista japonês Kenji Goto, refém há três meses na Síria. O repórter era experiente correspondente de guerra e havia viajado ao país para tentar a libertação do empresário Haruna Yukawa. Infelizmente, o compatriota foi morto do mesmo modo pelos terroristas.
Naquele mesmo ano, em 15 de fevereiro, o grupo postou imagens da decapitação de 21 cristãos coptas egípcios. Assim, diante dessas atrocidades repetidas na história universal, com menos ou mais requintes de crueldade, comprovam a falta de amor no coração do homem.
Deparando-se com fatos similares em sua época, escreveu o teólogo Paul Tillich: “Sem o imperativo moral, cultural e espiritual, a sociedade se desintegra”. O sociólogo Piritrim Sorokin menciona isso ao dizer: “O grupo que tolera isso está pondo em perigo a sua própria sobrevivência”. Seguindo a mesma linha de raciocínio, o falecido pregador norte-americano Billy Grahan destaca: “A História ensina, sem sombra de dúvida, que a queda de uma nação decorre da decadência dos seus padrões”.
Na entrevista para a publicação brasileira semanal Veja, o alemão Konrad Lorens, um dos mais famosos estudiosos de Psicologia dos animais e do instinto de agressividade, criador da Etologia (ciência comparada do comportamento) e diretor da seção de Fisiologia do Comportamento no Instituto Max Planck, de Mônaco, afirmou: “A destruição das antigas normas, das tradições, pode produzir monstros”.
Diante da resposta do notável cientista, há um convite para uma análise profunda do meio social contemporâneo. Se ocorrerem muitas mutações e uma insuficiente conservação do homem como animal, aparecerão os monstros: pela perda de genes ou da tradição. É claro que, com a acumulação de mudanças por meio da imoralidade, chega-se rapidamente à sua criação.
Nos dias atuais, a falta de certos valores já os produz do ponto de vista social. Na verdade, são regras morais que criam a unidade da família. Se tomarmos, ao pé da letra, os teóricos da completa liberdade em todos os sentidos, seria necessário perguntar, entre outras coisas: “O que serão dos filhos”?
Pois é fácil demonstrar que as crianças têm necessidade não só dos pais como dos avós e de uma família inteira. Todas essas mudanças não estão previstas na programação inata do ser humano. O Apóstolo São Paulo, na Bíblia, destaca um número de estranhas e perigosas mutações no plano espiritual pelo fato de que elas “(…) mudaram a verdade de Deus em mentiras” (Carta de São Paulo aos Romanos 1:25). Entre os riscos, encontra-se a perda da capacidade de amar. Os amantes modernos aprenderam apenas a “transar”, mas não a “amar”.
Enfim, somente com a presença de Deus no coração humano existe o verdadeiro amor. Conforme os ensinamentos do Apóstolo São João em sua carta: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (I João 4:7-8).

Joani Corrêa Prestes é mestre em Letras, professor e educador. E-mail: jcprestesedu@hotmail.com. Twitter: @teachervjcp. Blog: https://teachervjcpjoani.blogspot.com.br/