Alunos participam de atividades de conscientização


Com o tema “Lixo e Água Não Combinam”, projeto atendeu alunos da Emeb “Milton Soares de Camargo” através do programa Escola Feliz

Alunos com a engenheira sanitarista e ambiental Jacqueline Silva

Alunos do 4º ano da Escola Municipal de Ensino Básico (Emeb) “Milton Soares de Camargo”, em Tietê, participaram de atividade educativa ambiental através do Programa de Educação Ambiental Escola Feliz, idealizado pela engenheira sanitarista e ambiental Jacqueline Dias da Silva, fundadora e coordenadora do projeto Ruas Limpas Rios Limpos – Drenagem Urbana. Além de atividades de educação ambiental, iniciativa promoveu exposição na praça dr. Elias Garcia, no Centro de Tietê.
Na ocasião, as práticas idealizadas por meio do “Escola Feliz”, com abordagem em temas relacionados ao meio ambiente, permitiram que alunos apresentassem ações com ênfase em drenagem urbana e os elementos que compõem a infraestrutura de saneamento básico, tratamento de água, coleta e tratamento de esgoto e manejo de águas pluviais e de resíduos sólidos.
Segundo Jacqueline, o programa promove a Caminhada Ecológica, com objetivo de levar os alunos às práticas educativas fora do ambiente escolar após palestras para melhor entendimento de todos.
Já no Projeto Guru, após a Caminhada Ecológica, é proposto aos alunos desenvolver atividades de acordo com a realidade do ambiente. Nesta etapa, em sala de aula, os alunos elaboram alguma atividade contextualizando a sua percepção. Os trabalhos são transportos para fora da escola com o propósito de valorizar o desempenho e as habilidades dos estudantes e de difundir o conhecimento adquirido junto aos familiares e público em geral. Desta forma, ampliam-se as ações de cidadania, fundamentais em qualquer contexto de educação ambiental.
Ainda de acordo com Jacqueline, a escolha do tema “Lixo e Água Não Combinam” está relacionado com uma linguagem de fácil compreensão é uma forma direta para os alunos assimilarem o assunto. Neste tema, há palestras e dinâmicas associadas sobre como o lixo veiculado no sistema de drenagem urbana chega aos cursos d’água e quais são seus impactos nos ecossistemas aquáticos.
Em 2018, a engenheira sanitarista e ambiental realizou este mesmo projeto na Emeb “Benedita Cândida de Campos Rosa” (dona Beni)”, também em Tietê, e levou os alunos para conhecer os processos de tratamento de efluentes, em uma estação de tratamento de esgoto. Na ocasião, uma colaboradora disse que a filha dela – que estudava na Emeb Milton -, pediu para mudar de escola, pois sonhava em participar do projeto. “Assim, procurei a instituição de ensino e apresentei meu trabalho, além das palestras e atividades que compõem o Programa de Educação Ambiental Escola Feliz”, disse Jacqueline.
Também de acordo com a fundadora e coordenadora do projeto Ruas Limpas Rios Limpos, a exposição na praça dr. Elias Garcia possui o objetivo de conscientizar a população sobre a importância do sistema de drenagem no ambiente urbano e serve para alertar as pessoas sobre o descarte irregular de lixo nas ruas e as consequências disso.
“Uma diversidade de detritos é veiculada para o sistema de drenagem urbana diariamente. Especificamente nos períodos de chuva, é perceptível rios e córregos receberem e transportarem elevadas cargas de lixo. Alguns rios deságuam diretamente no mar ou oceano toda essa poluição. É uma situação que precisa urgente de mudanças. Essas mudanças requerem o envolvimento da sociedade”, alertou.
Jacqueline também considerou que, a partir do momento que o lixo é jogado fora de uma lixeira e se espalha ou é transportado aos ambientes aquáticos, ele se transforma em uma poluição difusa incontrolável. Assim, o acesso para sua remoção torna-se mais difícil, exige mão-de-obra, equipamentos e ainda depende de políticas públicas, com uma conjuntura de custos e altos investimentos para a conservação dos cursos d’água, já ofuscados em toneladas de esgotos. “Nesta circunstância, é muito mais viável e acessível investimentos em campanhas educativas, educação ambiental para a população e infraestruturas de controles no uso e ocupação do solo”, revelou Jacqueline.
Ainda segundo a fundadora e coordenadora do projeto Ruas Limpas Rios Limpos, a ideia de utilizar o espaço em uma praça para a exposição possui interesses mútuos de alcançar as pessoas que transitam e o público que frequenta o local. “Utilizar uma das fontes como cenário tem a função de demonstrar por meio do uso das garrafas plásticas flutuantes que o lixo causa inúmeros impactos negativos nos ambientes aquáticos”, alertou Jacqueline.
Na exposição, além de um banner explicativo sobre a função do sistema de drenagem no ambiente urbano, ilustrado com imagens do Rio Tietê e do Rio Pinheiros com excesso de lixo, também são apresentados os trabalhos elaborados pelos alunos que integraram o Projeto Guru e são da Emeb “Milton”, sob orientação da professora Renata Weissberg, das disciplinas de Português, Geografia e História, e da professora de Artes, Márcia Souza. Os temas retratatados foram: “A preservação do meio ambiente está em nossas mãos”, “A natureza”, “Área verde”, “Recado à população”, “Senhores moradores”, “Não jogue lixo no chão”, “É o nosso dever”, “Nosso bairro”, entre outros, todos expostos no coreto da praça dr. Elias Garcia.
Sobre a possibilidade de trabalhar esse mesmo projeto com outras escolas municipais a pedido da Prefeitura de Tietê por meio da Secretaria Municipal de Educação, Jacqueline disse que o interesse existe, pois é importante discutir o assunto em outras escolas também. “Alunos aprendem que a presença de materiais impróprios no sistema de drenagem, além de mau funcionamento, impedem a vazão adequada do escoamento das águas pluviais e contribuem com os eventos de alagamentos nas vias públicas. Já nos ambientes aquáticos, as diversidades de detritos causam o assoreamento, poluição e contaminação”, destacou a engenheira sanitarista e ambiental.
Segundo Jacqueline, a importância de se preservar e se conservar a água, considerada um dos recursos mais preciosos para a sobrevivência humana e de várias outras espécies existentes no planeta Terra, não é responsabilidade somente das crianças, é também dos adultos. “Lixo e água não combinam. Por isso, sempre alerto aos municípios que os mesmos tenham mais compromisso com investimentos destinados para o setor de saneamento básico, pois, sem esses serviços e a infraestrutura de saneamento, fica impossível a proteção das águas”.