Ana Carolina e OAB incentivam a doação de órgãos


Nomeada por Paulo Alves como presidente da comissão que trata do assunto, a advogada busca auxiliar e conscientizar a população tieteense

Graduada em Direito pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) em 1995 e pós-graduada em Direito do Trabalho e Processual do Trabalho pela Escola Paulista de Direito (EPD), Ana Carolina Fabri Assumpção Olyntho, esposa de Eduardo Assumpção Olyntho e mãe de Felipe e Marina, além de advogada renomada e proprietária da Villa Imóveis, agora trabalha com projeto solidário em prol das pessoas que necessitam de transplante para sobreviver.
Dinâmica, competente e, ao mesmo tempo, humilde, Ana Carolina traz seu olhar diante da vida e dessa nova iniciativa pessoal junto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de Tietê.

NOSSA FOLHA – Qual será o objetivo do projeto solidário que pretende ajudar os doentes que aguardam a doação de órgãos em Tietê?
Ana Carolina – Esse projeto tem por objetivo auxiliar doentes que necessitam de transplante para sobreviver. Incialmente, focaremos nos doentes renais que necessitam da hemodiálise, seja na busca por um doador na família, seja para auxiliá-lo na fila nacional de doador morto. Também queremos conscientizar as pessoas sobre a doação de órgãos após a constatação de morte cerebral. Isso ainda é um tabu e muitas famílias deixam de doar por desconhecimento e também por medo. Isso precisa mudar!
Está sendo redigido um projeto de lei para criar a Semana Municipal de Incentivo à Doação de Órgãos em Tietê para conscientização da população na importância da doação de órgãos. Essa semana seria realizada exatamente no período em que se comemora o Dia Nacional da Doação de Órgãos (27 de setembro). Assim que este projeto de lei estiver concluído, me comunicarei com os vereadores do meu contato para que possam assiná-lo e levá-lo à aprovação na Câmara de Tietê.
Ideia é que, na Semana Municipal de Incentivo à Doação de Órgãos, sejam realizadas palestras nas escolas sobre a importância da doação de órgãos como forma de salvar vidas, já que as crianças são mais receptivas a mudança de comportamento.
Outras formas de atingir a população também serão trazidas neste período, sempre visando a conscientização das pessoas sobre a importância da doação de órgãos.

NOSSA FOLHA – Este projeto surgiu a partir de qual momento e por qual razão?
Ana Carolina – Este projeto surgiu após a realização do meu transplante em dezembro do ano passado, no qual doei um dos meus rins para minha prima Suzana Lobato. A partir de então, o presidente da OAB-Tietê, Paulo de Souza Alves Filho, tomou conhecimento e, na tentativa de ajudar a comunidade, criou uma comissão de incentivo à doação de órgãos. Assim, me nomeou a primeira presidente, exatamente pela minha história. Não titubiei em aceitar. Ajudar outras pessoas será de grande valia!

NOSSA FOLHA – Por que a parceria com a OAB-Tietê? Quem faz parte da comissão da qual você é presidente?
Ana Carolina – Houve essa parceria porque a OAB, pelo papel social que possui, tem criado comissões no intuito de colaborar com a comunidade.
Na primeira reunião, realizada na sede da OAB-Tietê, fui representando a minha comissão e, ao tomar conhecimento desse projeto, a advogada Raquel Pizzol se interessou em colaborar, já que já conviveu com esse problema na família. Então, formamos uma dupla. Melhor para o projeto, pois duas cabeças pensam melhor.

NOSSA FOLHA – Na prática, de que forma esse projeto ajudará os munícipes de Tietê que fazem hemodiálise a localizar um doador na família? Como desmitificar a questão da doação de órgãos por meio dessa iniciativa?
Ana Carolina – Após a nomeação da advogada Raquel Pizzol como membro dessa comissão e apoiada por Paulo Alves, como presidente da OAB-Tietê, encaminhei um requerimento à Secretaria de Saúde de Tietê na tentativa de obter dados dos doentes renais do município. Esses dados eram fundamentais para o início do projeto! Sem ele em mãos, nada poderíamos fazer.
Ideia inicial é realizar reuniões e palestras com os doentes renais e suas famílias para levar a eles histórias reais de um transplante renal realizado com sucesso e mostrar que, se um dos seus membros estiver apto, este poderá doar um dos rins ao doente renal, aumentando, dessa forma, a expectativa de vida do receptor.
Informo, ainda, que profissionais da saúde também integrarão essas palestras para transmitirem ao doente renal e família o conhecimento técnico e a segurança da realização do transplante renal. Caso não haja um doador apto na família, o projeto acompanhará o doente renal na busca por um doador morto junto à fila nacional de transplantes.
A doação de órgãos ainda é tabu, mas vale destacar que, em vida, é possível uma pessoa saudável doar sangue, um dos rins, medula óssea, fígado e pulmão (parte deles). Após a doação, o doador terá vida normal, devendo somente cuidar da saúde como todo ser humano. Já pelo doador morto, podem ser doados os dois rins, o fígado, os dois pulmões, o pâncreas, o coração, a córnea, a pele, entre outros.
Objetivo é tentar desmitificar a doação de órgãos, trazendo conhecimento à população. Todos precisam se conscientizar da importância em salvar outras vidas, seja pela doação em vida, que beneficia uma pessoa específica, seja pela doação após a morte cerebral, que pode salvar até oito vidas.
Porém, a falta de aprovação da família do morto ainda é um empecilho. Precisamos mudar isso! Saiba que, para ser doador, basta avisar a família. É tão simples! Existem lindas histórias de doação de órgãos após a morte que uniram as famílias do doador e receptor.

NOSSA FOLHA – Este trabalho tem ligação com a Secretaria de Saúde? Hoje, quantas pessoas em Tietê fazem hemodiálise e precisam da doação de órgãos?
Ana Carolina – Para que pudéssemos iniciar os trabalhos, necessitávamos da relação de doentes renais. Então, a solicitamos à Secretaria Municipal de Saúde via requerimento. Raquel Coan foi pronta em nos ajudar e nos forneceu os dados, colaborando, imensamente, para o sucesso do projeto. Além disso, se prontificou a encaminhar algum profissional da secretaria para nos acompanhar nas reuniões e palestras.
Ao receber os dados, pudemos ter ciência de que 18 moradores realizam hemodiálise. Dessa forma, iniciaremos o projeto com eles.

NOSSA FOLHA – Qual será o papel da população neste projeto solidário?
Ana Carolina – Todo projeto social precisa do apoio da comunidade. É este apoio que impulsiona o projeto. Quanto maior a divulgação pela comunidade, fazendo chegar àqueles que realmente podem se beneficiar dele, maior será nossa chance de obter êxito e ajudar o doente renal. Quanto maior a conscientização da população sobre a doação de órgãos, mais doadores teremos e mais vidas serão salvas.

NOSSA FOLHA – Considerações finais:
Ana Carolina – Agradeço, primeiramente, à minha prima Suzana Lobato por ter me permitido doar um rim a ela, mudando minha forma de encarar a vida; ao presidente da OAB, Paulo Alves, pela sensibilidade em criar essa comissão; à minha parceira de projeto, Raquel Pizzol, por abraçar a causa comigo; à Raquel Coan, por acreditar e colaborar na execução do mesmo; e ao Nossa Folha, por nos permitir divulgar esse projeto. Vamos salvar vidas, doe órgãos! Deixe a sua marca. Multiplique vidas!