Engenheira cria projeto voluntário de meio ambiente


Ideia é ampliar o envolvimento da população com atividades de educação ambiental e, ainda, promover mudanças de hábitos

Formada em Engenharia Sanitarista e Ambiental, Jacqueline Dias da Silva é fundadora e coordenadora do projeto Ruas Limpas Rios Limpos – Drenagem Urbana. A ligação da profissional com o tema deu-se por meio de vínculos ligados ao assunto, assim como pela importância do sistema no ambiente urbano. “É algo que move a minha imaginação! Desta forma, aproveito a inspiração que o sistema proporciona à minha pessoa para atuar no desenvolvimento de medidas não estruturais”, disse Jacqueline, residente em Tietê.
“Ruas Limpas Rios Limpos – Drenagem Urbana” é um projeto voluntário idealizado com a finalidade de divulgar o conhecimento a respeito da importância do controle da poluição causada pelos resíduos sólidos no ambiente urbano. Atua no desenvolvimento de práticas de educação ambiental com ênfase no lixo, que é levado pelo sistema de drenagem urbana aos cursos d’água como destino final. Objetivo é promover melhorias na qualidade da água dos rios urbanos.
De acordo com a fundadora e coordenadora, este projeto surgiu em 2017, após longo período de estudo e pesquisa sobre a temática, considerando a situação crítica e frequente relacionada ao descarte irregular de lixo nas vias públicas. “O grande volume de uma diversidade de detritos que chegam aos rios, córregos, lagos, praias e oceanos diariamente causam impactos diversos nos recursos hídricos, como a poluição e a contaminação das águas, assim como prejudicam ou levam à morte diversas espécimes, principalmente no ambiente marinho. É preciso refletir e mudar as atitudes em relação a tudo isso”, destacou Jacqueline.
Responsável pelo projeto, a fundadora e coordenadora possui as seguintes áreas de atuação: Programa de Educação Ambiental “Escola Feliz”, constituído de palestras, dinâmicas e caminhada ecológica voltadas às práticas educacionais com os alunos fora do ambiente escolar; participação social com atividades desenvolvidas junto aos moradores dos bairros em estudo; e Sistema 3R, que traz ações relacionadas à conservação, à preservação e ao uso racional das águas.
Segundo Jacqueline, o projeto sai do papel de acordo com o diagnóstico específico do local, das propostas e soluções, considerando as reais necessidades de cada ambiente. “Drenagem urbana é uma questão de alocação de espaço. O escoamento das águas de chuva ocorre independentemente de um sistema de drenagem e ocupa os espaços disponíveis, sendo estes adequados ou não. Ainda sobre drenagem urbana, é fundamental destacar o sistema da microdrenagem, constituído por pavimentação das ruas, guias, sarjetas, bocas de lobo e galerias de menores dimensões, além do sistema de macrodrenagem estruturado com as galerias de águas pluviais de maior dimensão”, completou a fundadora do projeto.
Jacqueline alertou que nas cidades, atualmente, ocorre uma ausência de manutenção adequada junto ao sistema de drenagem e isso implica em altos custos sociais e ambientais, principalmente nos períodos de chuva, quando surgem os alagamentos das vias. Essa ausência compreende desde a falta de varrição e remoção de sedimentos acumulados nas sarjetas até a falta de fiscalização das obras da construção civil, o que geram grandes volumes de materiais dispersos, normalmente levados às galerias das águas pluviais.
“No que refere à educação ambiental, é primordial o envolvimento da população para alcançar mudanças de hábitos. Informar as pessoas sobre a funcionalidade do sistema de drenagem urbana consiste em indicar a sua principal função, que é o escoamento das águas pluviais e o quanto é fundamental manter a limpeza das ruas para evitar o lixo neste sistema e nos cursos d’água. Importante agregar, ainda, mais campanhas nos meios de comunicação, de modo a atingir o público sobre os impactos causados pelo descarte irregular de lixo, entre outros”, finalizou Jacqueline.