João Madeira


João Madeira

Por Deraldo Rodrigues (in memoriam)

Uma frase marcante que sempre era dita pelo saudoso João Camargo Madeira: “Ajudar não é envelhecer, é a eterna juventude estimulada pelo desejo de servir!”. Tem outra frase que lembrava seus funcionários: “Esses meninos vão brilhar e Cerquilho sentir-se-á orgulhosa como eu!”
Assim era o tieteense João Camargo Madeira nascido em 3 de fevereiro do ano de 1896. Um homem que desde menino mostrou habilidades para a farmácia. Ainda jovem, depois de um aprendizado em sua terra natal, transferiu-se para São Paulo, onde por muitos anos atuou na Farmácia Central do Braz (dos irmãos Líbero). Em seguida, foi trabalhar na Farmácia Assis, uma das mais importantes da capital paulista.
Levado pela vontade e pelo amor ao trabalho, aceitou dirigir a Farmácia da Companhia José Gorgi que, na época, construía por contrato o prolongamento da Estrada de Ferro Sorocabana, localizada em Indiana. Nessa localidade, ao longo de suas atividades, adquiriu alqueires de terra por acreditar na florescente região. No município de Indiana, no Estado de São Paulo, ficou cerca de dois anos, acompanhando passo a passo o avanço dos trilhos até Santo Anastácio.
Vendo frustrados seus esforços, João Camargo Madeira regressou a São Paulo no auge da famosa gripe espanhola, nos fins de 1918, aonde contribuiu, de novo, na Farmácia Assis, com valioso atendimento à população que enfrentava a calamidade.
No ano de 1921, aos 25 anos, atendendo a sugestão do primo dr. Ibrahim, mudou-se para Cerquilho e, em 1925, casou-se com Noêmia Souto e tiveram uma filha chamada Maria Elisa.
O farmacêutico dedicado e carinhoso ganhava a simpatia da gente cerquilhense e, nas farmácias São José e São Benedito (a mesma que pertenceu a José Maria Grando, na rua dr. Campos, no Centro de Cerquilho, e hoje pertence aos farmacêuticos Marcelo Tesser e Paulo Pantojo), orientou os “meninos”: seus irmãos Afonso, Celso e Antonio Carlos, seu cunhado Antonio Souto, Pefani Daros, Ricieri Reginato, José Manoel “Zito” Souto, Luiz Manoel “Gige” Souto, os irmãos Euclides e Tarciso Modanezi, os irmãos Dioracy e Hélio Urso, Adilson Sanson, Darci Burani, Adilson Nunes, Celso Grando e os irmãos Francisco e Ivan Campos.
Poucos meses antes de falecer, João Camargo Madeira ainda era visto na Farmácia São Benedito com a frequência que sua saúde permitia. Contando sempre com a valiosa colaboração da esposa Noêmia, por mais de 60 anos João Camargo Madeira exerceu suas atividades com toda lisura e ética profissional.
Foi, ainda, juiz de paz em Cerquilho no tempo da chamada República Velha (antes de 1930), época em que os 37 milhões de brasileiros viam seu País mergulhado na mais aguda crise enfrentada, onde se jogaram por terra as cotações do café na Bolsa de Nova Iorque. João Camargo Madeira também foi vereador da Câmara Municipal Cerquilhense, apesar de não ter ambições políticas.
Este nobre cidadão que residiu em Cerquilho muito contribuiu para o progresso da Cidade das Rosas e dos Tropeiros. João Camargo Madeira foi um cidadão exemplar. Um ser humano incrível que viveu para a sua profissão e para a comunidade.
Sua morte em 9 de setembro do ano de 1981 consternou a cidade de Cerquilho, onde sempre mereceu a admiração de todos. Nesta data, João Camargo Madeira deixou muitos exemplos de amor, trabalho, solidariedade, amizade, luta, dignidade e profissionalismo.