Livro do Crime das “Sete Mortes” tem lançamento


Livro do Crime das “Sete Mortes” tem lançamento

O livro “Dos sonhos ao pesadelo: O Crime das Sete Mortes” é dividido em sete partes

José Luiz Meucci (Zé Luiz) é o autor de um livro que contará o crime das “Sete Mortes”. Nascido em Laranjal Paulista, em 19 de março de 1961, é neto de italianos que vieram para Tietê na onda migratória dos anos de 1890.
A sua ligação com as “Sete Mortes” começou em 1976, mesmo ano da inauguração do Centro Interescolar Municipal de Tietê, colégio técnico de cursos profissionalizantes, construído atrás do Cemitério (atual Etec “Vianna”). “Fiz parte da primeira turma e, para chegar à escola, a maioria dos alunos cortava caminho pelo Cemitério e, obrigatoriamente, passávamos diante da sepultura das ‘Sete Mortes’. E foi assim que eu soube do crime e nasceu a minha curiosidade pelo caso”, disse Zé Luiz.
No entanto, somente 40 anos depois, após uma se-
quência de coincidências, é que ele decidiu pesquisar tudo a respeito da tragédia e transformou as informações no livro “Dos sonhos ao pesadelo: O Crime das Sete Mortes”. “No início enfrentei muitas dificuldades para identificar o caminho sobre como ‘contar’ tal história. Afinal, o material pesquisado avolumou-se tanto com inúmeros assuntos e temas, além do crime, que daria para escrever dois ou três livros, embora todos ligados, de certa forma, ao tema central e às famílias envolvidas. Até pensei em escrever mais de um. Porém, depois de anos de dúvidas, escrevendo e reescrevendo inúmeras vezes; inserindo e excluindo diversos trechos, decidi pelo conteúdo e formato que estão sendo publicados. Mas confesso que, até hoje, não estou certo ter escolhido o melhor caminho. Enfim…”, disse o autor.
Ainda segundo Zé Luiz, “Dos sonhos ao pesadelo: O Crime das Sete Mortes” é dividido em sete partes, além do prólogo, sumário, páginas de referências, entre outros. Na primeira parte, ele conta quando e como teve o contato inicial com o caso em 1976, aos 15 anos. Em seguida, na segunda parte, narra a sua trajetória (de 1978 a 2014) de forma bastante resumida, abordando acontecimentos coincidentes que o remetiam às “Sete Mortes”. “A começar pelos três anos que passei diante da sepultura (de 1976 a 1978) até a incrível coincidência ocorrida em dezembro de 2014 (36 anos mais tarde), quando um fato me levou para dentro do Cemitério de Tietê; diante da sepultura da família morta. Isso aconteceu horas após de ter conhecido o atual proprietário do Sítio das Sete Mortes, algo que só fui descobrir dias depois pela internet. Foi, a partir daí, que decidi pesquisar e escrever sobre o crime”, revelou.
Na terceira parte, Zé Luiz faz uma contextualização histórica sobre o momento em que viviam Brasil e Itália no século XIX. Trata da transição do Governo Imperial à República e o fim da escravidão no Brasil, além dos movimentos das sociedades secretas italianas pela libertação do País; fatos que precederam e motivaram as guerras pela unificação e independência da Itália, e contribuíram para o fenômeno conhecido como a Grande Emigração, quando milhões de italianos deixaram o país em busca de uma vida mais digna para os seus.
Na quarta parte, ele conta a história de vida das famílias Faccin e Tonon na Itália; desde a unificação do País (entre 1860 e 1870) até o desembarque no interior de São Paulo (1892). Ricardo Faccin, Maria Tonon e seus familiares deixaram a Itália (ele com quatro anos, ela com três) no fim de 1891. “Refiz as etapas das viagens que as duas famílias fizeram, ainda em solo italiano, percorridas a pé, em carroças e trens. A dramática travessia do Atlântico, onde foi possível refazê-las, com registros ocorridos em alto-mar. Mostro a chegada em Santos, a passagem pela hospedaria e o início da nova vida nas fazendas de café de Tietê e Rio das Pedras”, destacou.
Na quinta parte, Zé Luiz relata a história de vida das famílias dos três personagens principais: as italianas Faccin e Tonon (as vítimas do crime) e a brasileira Arruda (do assassino). A narrativa se dá a partir da chegada da família Faccin em Tietê, em 1893, até o fim de 1922.
Na sexta parte, narra todos os acontecimentos a partir do primeiro dia de 1923 (ano do crime) e os seus desdobramentos. “Mostro o agravamento dos problemas com os olhos de Ricardo, a viagem para São Paulo para tentar recuperar a visão, os meses seguintes a viagem, o assédio do ‘irmão de criação’ junto à esposa e a filha mais velha, os últimos dias de vida de Maria e das crianças, por fim, o crime, a fuga e mobilização de toda uma região para a sua captura – uma verdadeira caçada ao monstro da Água de Pedra, bairro rural onde tudo aconteceu e toda a repercussão do caso até a vida do assassino na Penitenciária e, depois, no Manicômio Judiciário do Juqueri, em Franco da Rocha, São Paulo.
Finalmente, a sétima e última parte do livro é dedicada aos acontecimentos dos dez últimos anos de vida de Ricardo Faccin, entre outros temas, e também traz nomes como Venâncio Ayres, delegado de Tietê; a figura do médico psiquiatra da penitenciária, José de Moraes Mello; tem ainda outros personagens como Franklin de Toledo Piza, primeiro diretor da penitenciária de São Paulo; André Teixeira Lima, primeiro diretor do manicômio judiciário (nascido em Conchas, quando era distrito de Tietê); padre Mário Briatore, e a sua participação no socorro as vítimas da explosão do vagão de trem estacionado na estação de Cerquilho, caso este recheado de polêmicas, além de ter tirado a vida de um descendente da família das Sete Mortes, a explosão foi considerada por várias autoridades um atentado contra o governador Adhemar de Barros. Coincidentemente, o caso foi investigado pelo mesmo delegado Venâncio Ayres, na época (1948).
“A narrativa não foi desenvolvida como romance. Boa parte é composta de ‘recortes’. A leitura tem altos e baixos e alguns capítulos interessam apenas para os familiares das vítimas ou àqueles que, de alguma forma, se relacionaram mais intensamente com ‘eles’ e com os resquícios da tragédia. Além da realização pessoal, o objetivo com o livro é o resgate da memória do caso que, na época e nas décadas seguintes, repercutiu no mundo todo”, ressaltou Zé Luiz.
LANÇAMENTO – Em Jumirim, a cerimônia de lançamento ocorrerá na terça, 23 de novembro, às 19h30, no Centro Comunitário Senhor Bom Jesus e São Roque.
Em Tietê, a data de lançamento será na quinta, 25 de novembro, às 19h30, na Oficina Cultural “Maestro Orlando da Silveira” (antiga rodoviária).
Em Laranjal Paulista, será na terça, 30 de novembro, às 19h30, no Centro Comunitário São Roque.
Em Cerquilho, o lançamento ocorrerá na quinta, 2 de dezembro, às 19h30, no Centro Comunitário São José.