Nelson Serafim (Madalena)


No sábado, 6 de abril, faleceu aos 90 anos Nelson Serafim (Madalena), filho de Natale Serafim e Angela Máchia. Era viúvo de Leonor Brocca Saccon Serafim e deixou o filho Geraldo Maria Serafim (Gê Mala), a nora Claudete Demarchi, os
netos Neto (casado com Elisangela Batistela) e Caroline (casada com Anderson de Carvalho), além do bisneto Gustavo.
No esporte, jogava como meia-esquerda. Aliás, este time do Ipiranguinha da Bela Vista era fantástico. Embora não tivéssemos um treinador, éramos tão unidos que a integração do grupo garantia o futebol.
Nesta época, o treino ocorria na Bela Vista, em um terreno localizado ao lado da extinta Fábrica de Seda, cuja especialidade era produzir fios a partir dos casulos do bicho da seda para a indústria têxtil especializada. Neste terreno, que ficava praticamente em um barranco próximo à Chácara do Fiore, na divisa com a Vila Nova, ali na região das antigas instalações do benefício de algodão da família Temer Lulia, em dia de jogo, recolhíamos o estrume dos animais e arrancávamos, com as mãos, todo guanxuma e, depois disso, seguíamos até a venda do leiloeiro Isauro Fidêncio Mella. Já as traves desse nosso campinho eram formadas com eucalipto da propriedade de João Bellato e Maria Salvador Bellato (antiga Apae), no bairro Bonanza.
Na ocasião desta foto, o jogo válido pelo Campeonato Varzeano era no Comercial Futebol Clube. Nosso adversário, se não me falha a memória, foi o Avenida Futebol Clube. Dessa escalação, Sodré (lateral) era pintor; Ninão (central), taxista; eu, Édie (goleiro), já trabalhava no Macalé; Tolão (quarto zagueiro), padeiro; Moio (volante), seleiro; Vadô (lateral esquerdo), pedreiro; Zezinho (ponte-direita), engraxate; Ivo (meia-direita), empregado rural; Elviro, fábrica de doces; Madalena (meia-esquerda), cacifeiro; e Finca-Finca (ponta-esquerda) era circense.
Um momento que marcou para sempre a memória do Ipiranguinha envolveu Zezinho. Em certa ocasião, o saudoso atleta foi convidado para integrar a escalação do Comercial em partida contra o Grupo Votorantim, do engenheiro e industrial Antônio Ermínio de Moraes. Diante do show de bola em campo, Zezinho acabou contratado como reforço e, junto da família tendo moradia e ótimo salário garantidos, seguiu para Alumínio, localidade que a família Moraes também tinha uma fábrica.
Aquele que teve uma oportunidade de ouro do presidente do Grupo Votorantim, considerado um dos mais ricos do mundo, morreu três meses depois da contratação.
Para minha alegria e orgulho, sou testemunha de histórias fantásticas, como esta do Ipiranguinha, e essa condição da minha vivência em Tietê me fez criar o hábito de contá-las por aqui. Todos os relatos que faço na coluna “Onde Anda Você?” são vestígios de uma reconstituição do passado, sob meu saudoso olhar.
Desse modo, acho importante esse trabalho no jornal como registro eterno, pois parte dos testemunhos já desapareceu por conta do falecimento de muitos atletas. Assim, quando recorro à memória e à saudade de um passado inesquecível, as minhas lembranças tornam-se duradouras em um cenário atual de constantes modificações e modernização.
PIADINHA DA SEMANA – O bêbado foi ao médico e, ao chegar em casa, a mulher perguntou: Como foi lá na consulta, meu bem?”
O marido bêbado respondeu: “Vamos ter que sair de São Paulo, querida!”
-“Mas por quê?”, questionou a esposa.
– “O médico disse que, no estado em que estou, não posso beber mais!”