No piloto automático!


No piloto automático!

Muito confortável quando utilizado nos carros, o conhecido piloto automático trouxe nos últimos anos muito mais conforto para a vida dos motoristas. O veículo não morre, não precisa mudar marcha quando o carro pede, pois ele mesmo vai alterando conforme a necessidade, e você deixa de precisar da embreagem, aquela que o faz ter que se posicionar mecanicamente para poder alterar as marchas e não deixar o veículo “morrer” no meio da rua.
Entretanto, o que muitos consideram uma maravilha no mundo automotivo, metaforicamente na vida pode ser uma armadilha cruel conosco e com aqueles que estão a nossa volta. Estar “no piloto automático” nos deixa numa posição perigosa na vida, visto que detalhes fundamentais para a melhoria do nosso próprio processo e atualizações que acometem a todos, se não utilizadas, nos fazem ficar para trás, ou até mesmo travados.
Para entrar em piloto automático é muito mais fácil do que se imagina. Basta estar confortável no planejamento das atividades cotidianas, conformar-se com o elogio vindo das poucas pessoas de sempre, não participar de novos círculos de amizade ou não se interessar por formas de otimização do dia a dia. Também não se sensibilizar com perdas alheias, nem comemorar quando as vitórias chegam.
A pandemia foi uma grande escola para a sociedade como um todo neste sentido. Nos trouxe, de um jeito ou de outro, a análise de como estávamos antes, e nos fez literalmente pararmos e reflertimos sobre a vida. Do outro lado, as tantas mortes no mundo todo e as notícias de óbito todos os dias a nós sendo servidas, nos trouxe uma certa indiferença que não pode ser comum.
Enquanto isso, entidades que cuidam dos mais variados tipos de necessidades, hoje necessitadas estão. Mesmo com o voluntariado, o menor poder de compra das famílias, a falta de engajamento a uma causa, ou até o senso de que é preciso de suprimentos e pessoas ativas para se manter, isso tem afetado a contribuição costumeira em muitas delas.
Seria o momento de sairmos juntos e vitoriosos do “piloto automático” e tomar o controle da direção para onde todos nós podemos chegar, sendo equilibrados e melhores? Nesse retorno presencial nas empresas, escolas, ambientes de lazer, há algum tipo de repulsa que precisa ser trabalhado? Voltar a encontrar as pessoas com quem estávamos habituados a conviver nos traz calmaria e vontade?
São reflexões que, muitas vezes, evitamos, mas se não dermos uma boa vasculhada para saber se o que temos nos completa ou não, corremos o risco de não aprendermos a lição, mas ficarmos pela metade, já que, mais uma vez, o “piloto automático” falou mais alto e passou por cima dos nossos reais desejos ou da nossa real missão.
Fica, então, o convite para você se dar um tempo e fazer uma garimpagem, mesmo que para isso aquelas ações ou sentimentos mais arraigados precisem ser extirpados para iniciar uma nova e prudente caminhada.
Vamos nessa?