Plínio e Anézia: 68 anos de amor e cumplicidade


O casal, que têm cinco filhos, 11 netos e oito bisnetos, contou aos leitores do jornal Nossa Folha como começou a história deles

Plínio Belotto era um rapaz de 17 anos, morador do bairro Bela Vista, em Tietê, quando um dia resolveu visitar um amigo em um sítio na Ponte Alta, também no município.
A caminhada exigia empenho, pois eram cinco quilômetros de estrada de terra até chegar à propriedade. Mas o que era para ser uma visita comum marcaria para sempre a vida deste rapaz, que se encantaria por uma bela moça de 15 anos. Quem era ela? Tratava-se de uma prima do amigo. Seu nome, Anézia Canatelli.
Na ocasião, Plínio Belotto logo confidenciou ao amigo que gostou da moça. Depois, Anézia soube das boas intenções do rapaz. Foram muitas conversas e bailes. Pegar nas mãos? Nem pensar! Eram outros tempos, nos quais o respeito tinha suma importância.
Um dia se encontraram na praça central. As moças circulavam o coreto e os moços rodavam em sentido anti-horário, flertando com as fascinantes donzelas. Plínio fez um discreto sinal com as mãos para que pudessem conversar. Anézia só aceitou após a segunda volta. Começava, então, uma história de amor que já dura quase 69 anos.
Bastante conhecidos e queridos em Tietê, Plínio e Anézia começaram a namorar com o consentimento dos pais. Namoro diferente dos de hoje. Ele ia à casa dela, na Ponte Alta, e conversavam na presença dos pais de Anézia. O moço deveria cortejá-la e, depois, seguir seu rumo.
Quis a vida que Plínio mudasse para Porto Feliz. Assim, ele vinha a cada 15 ou 20 dias para visitar a amada. Foram sete anos do primeiro encontro até o casamento, que ocorreu em emocionante cerimônia realizada em 17 de junho de 1960, na igreja matriz Santíssima Trindade, em Tietê.
Anézia fez todo o enxoval. Bordados, crochê… Tudo com total esmero! Assim, o casal foi morar em Porto Feliz e lá nasceu o primeiro filho: Deusdedit. Depois, mudaram-se para Americana, importante polo têxtil paulista na época. O primogênito tinha dois anos e Plínio e Anézia começaram a trabalhar em fábrica de tecidos.
O trabalho era puxado. Plínio recebia por produção. Anézia tinha turno de trabalho das 5 às 17 horas e ainda costurava em casa e cuidava do filho, do marido e do lar. Nesta época, a mãe de Deusdedit conheceu um anjo em forma de mulher. Era ela quem cuidava, com muito carinho, do seu filho enquanto ia trabalhar. Eram tempos de vizinhança pacata e amiga. Suas casas não tinham separação. A relação era a melhor possível entre eles.
Em mais um período de mudanças, o casal retornou a Tietê e começou a “tocar” um bar na rua dr. Palinuro. Foram 23 anos! Nasceram, então, os outros quatro filhos: Conceição, os gêmeos Regina Célia e Regi Célio e Ana Cristina.
Dessa época, Plínio e Anézia lembram quando o filho Deusdedit dormia em um colchão de palha enquanto eles estavam no bar a trabalhar. Era um sobrado, no qual o quarto ficava no piso superior e o estabelecimento, no inferior. Os gêmeos, se aproveitando da correria dos pais, retiraram toda a palha do colchão e colocaram sobre o irmão mais velho. Ao serem repreendidas pela mãe, as crianças disseram “a gente ‘guaida’”.
O casal recorda outras tantas lembranças dos seus 68 anos de amor e cumplicidade. Se existe receita para qualquer casamento dar certo? Plínio sugere: “Ter Deus em primeiro lugar, respeito e amor”. Anézia completa: “Consideração um pelo outro é fundamental”.
Todos esses sentimentos mútuos deram frutos. São 11 netos e oito bisnetos. Deusdedit casou-se com Rosa Angilieri Belotto e tiveram os filhos Giovani, Giuliano e Geórgia; Conceição uniu-se a Arnaldo Lúcio Marcheti (in memoriam) e nasceram Plínio e Arnaldo; Regina Célia tem como marido Osmar Sosa e, como filho, Matias; Regi Célio hoje está com Rosa Tenório e, do seu primeiro casamento, nasceram os filhos Ariane, Leandro e Mateus; e Ana Cristina uniu-se a Antonio Carlos Cláudio e tem como filhos Ana Laura e Gabriel.
Os bisnetos são Giulia, Giovana, Iasmin, Clara, Francisco, Valentina, Alice e Eduarda.
A numerosa e bonita família constituída por Plínio Belotto, 92 anos, e Anézia Canatelli, 90 anos, é a certeza que toda a relação, quando há amor e respeito, sempre vence todos os obstáculos da vida.