Saiba quem foi Horácio Cavalcante de Albuquerque


Saiba quem foi Horácio Cavalcante de Albuquerque

Horácio Novais foi expulso do bando de Lampião e teve seu paradeiro desconhecido pela família

Última biografia sobre líderes de movimentos culturais, sociais e políticos do Brasil publicada pelo jornal Nossa Folha foi a de Sabino Gomes de Gois (Sabino das Abóboras), filho bastardo do coronel Marçal Florentino Diniz.
Nesta semana é a vez do Horácio Cavalcante de Albuquerque, conhecido como Horácio Novais, filho de uma das mais tradicionais famílias de Floresta, no sertão do Pernambuco. Este fez do Cangaço um “negócio” e meio de vida, aliando-se várias vezes ao grupo de Virgulino Ferreira da Silva (Lampião), causando, assim, transtornos à importante família do Pajéu. Antes disso, vivia a roubar cavalos para vendê-los no Ceará, além de matar para roubar, até se tornar um jagunço perigoso.
Quando atacou Franco Pinheiro e ameaçou Antônio Teixeira Leite, mais conhecido como Antônio da Piçarra, Horácio Novais estava fugindo de um processo que sofrera em sua terra, tendo Manoel Gilo como testemunha contra si.
Horácio Novais ingressou no bando de Lampião em 26 de agosto de 1926 durante ação na propriedade da família Gilo. No ano anterior a essa ação, roubou 12 animais da fazenda dos Gilo e foi vendê-los em Lavras da Mangabeira, cidade do Estado do Ceará, e os ofertou para um coronel chamado Raimundo Augusto Lima.
Durante os meses em que andou com o Rei do Cangaço, Horácio Novais procurou “envenenar” Lampião contra Manoel Gilo. Seu golpe contra os Gilo foi uma carta supostamente escrita pelo chefe da família e endereçada a Lampião. O conteúdo dessa carta não só insultava o Rei do Cangaço como ainda colocava em dúvida a sua coragem.
A resposta da calúnia resultaria em um ataque, como desforra, vingança que se concretizou em uma madrugada de sábado, quando Lampião e Horácio Novais, acompanhados de um grande número de capangas, abriram fogo contra a propriedade da família Gilo, onde estavam o próprio Manoel Gilo, o homem que tinha acusado Horácio Novais de roubo de mulas e burros da sua propriedade e, por essa acusação, o cangaceiro tinha sido condenado, além de dois dos seus irmãos, seus pais e outros parentes.
Na oportunidade, os Gilo resistiram bravamente, pois tinham sido prevenidos de que este ataque estava sendo tramado. Contam os historiadores que este combate durou muitas horas por conta dos cangaceiros terem bloqueado a estrada que passava pela propriedade dos Gilo, de modo a interceptar todos os que se dirigiam a Floresta, impedindo, assim, que qualquer socorro pudesse ser dado à família assediada.
Quando cessou o fogo de dentro da casa, Donato, o mais velho dos Gilo e o único homem ainda vivo na casa, saiu e enfrentou os cangaceiros. Lampião puxou do bolso a carta que ele acreditava ser do homem à sua frente e começou a lê-la. Donato Gilo, pai de Manoel, protestou e negou a autoria, acrescentando que não sabia ler nem tampouco escrever. Lampião estava propenso a acreditar na sua inocência quando Horácio Novais, que estava bem perto, levantou a pistola, atirou na testa e matou seu inimigo.
Segundo os autores dos livros Floresta uma Terra – um Povo e De Virgolino a Lampião, ao todo, 12 pessoas morreram neste combate na fazenda Tapera, na Vila de Floresta. Naquele dia, conforme relataram testemunhas, os corpos das vítimas permaneceram espalhados por toda a casa.
Neste confronto, só não morreram a mulher de Donato Gilo e o filho caçula, que tinha ido ao Ceará comprar açúcar e, portanto, estava ausente quando o morticínio ocorreu. Duas pessoas que não pertenciam à família também morreram, além de outras duas (uma tinha sido detida na estrada e a outra era um soldado da Polícia de Floresta, que chegou depois do tiroteio).
Conta-se que Manoel Neto, que se recuperava de ferimentos no combate de Caraíbas, na Bahia, correu até a cidade para pedir ajuda ao capitão Muniz de Farias, que já tinha ciência das ameaças de Horácio Novais contra Manoel Gilo, e simplesmente recusou envolver seus homens neste combate.
Diante da recusa do capitão, Manoel Neto seguiu acompanhado de apenas 10 bravos nazarenos que dispunha. Na fazenda de Gilo, ainda trocou tiros, perdeu dois companheiros e teve que recuar, não por temer o grande inimigo, mas devido a sua condição física comprometida pela hemorragia dos seus ferimentos.
De acordo com alguns relatos, depois de tudo consumado, o capitão Muniz de Farias acabou chegando ao local acompanhado de grande contingente da força policial, porém, nada fez a não ser, após ser informado da situação, regressar para Floresta, deixando de seguir no encalço do grupo, como desejava o destemido Manoel Neto.
De acordo com outros relatos, Lampião teria reconhecido o erro de ter apoiado o facínora Horácio Novais na sua vingança contra a família Gilo e o expulsou do bando. Desse modo, temendo futuras retaliações, o cangaceiro Horácio Novais fugiu e teve seu paradeiro desconhecido pela família.