Saiba quem foi João de Souza Nogueira (João Flor)


Nesta edição, o Nossa Folha prossegue com a série de reportagens sobre a vida de líderes de movimentos culturais, sociais e políticos

Última biografia sobre líderes de movimentos culturais, sociais e políticos do Brasil publicada pelo Nossa Folha foi a do coronel Manoel de Souza Neto (Manoel Neto). Nesta edição, é a vez de João de Souza Nogueira, conhecido como João Flor, um dos fundadores de Nazaré do Pico, em Floresta, no sertão de Pernambuco.
Filho de Manoel de Souza Ferraz e Florência Filismina de Sá (Flor), nasceu no Sítio Catarina, em Floresta, Pernambuco, no dia 6 de fevereiro de 1870. João Flor seria o futuro líder de uma família que teria sua importância na história de Nazaré do Pico no combate ao cangaço depois que chegou na região a família de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.
A denominação “Flor” descende da sua mãe que, após ver o marido acometido por uma doença mental, assumiu a liderança dos negócios da família. Na continuidade, quem dela pertencesse era denominado pelo sobrenome criado. Exemplo disso são João Flor e, depois, seus filhos Manoel Flor, Euclides Flor, Odilon Flor, Ildelfonso Flor e Américo Flor, sucessivamente, que, na verdade, são Manoel de Souza Ferraz, Euclides de Souza Ferraz, Odilon Nogueira de Souza, Ildefonso de Souza Ferraz, Américo Nogueira de Souza, respectivamente, além de Luís de Souza Nogueira, Hildebrando de Souza Nogueira, Valdemar de Souza Ferraz, Ana de Souza Ferraz e Emília Angélica de Souza Ferraz.
Respeitado pela gente daquela terra, João Flor casou-se com Angélica Teodora de Souza Ferraz e teve uma prole de valentes que não descansaram na luta contra o banditismo rural enquanto durou o cangaço no Nordeste. Foram vários os filhos de João Flor que partiram de suas casas para se embrenharem na caatinga a fim de darem combate aos bandos de cangaceiros que infestavam a região do sertão nordestino, em particular o bando comandado por Lampião.
Com a saída do major João Gregório (que era seu tio) em 1907, João Flor assumiu como subdelegado na Fazenda Ema e, após, cargos semelhantes. João Flor era homem ponderado em sua função de conselheiro e apaziguador de conflitos. Afável, à sua maneira, levava uma vida social intensa. Dotado de boa voz, era seresteiro requisitado. Tanto que, na noite de 23 de junho de 1918, tornou-se padrinho de São João de Virgulino Ferreira da Silva, o futuro Lampião – Rei do Cangaço, o qual chegou por um momento a se juntar com seus filhos e parentes na luta pelos nazarenos que, por pouco, não se envolveram na briga entre os Pereira e Carvalho. O ano era 1919 e naquele período constituiu o início de longa temporada de apreensões para o povo de Nazaré do Pico.
Devido à Vila de São Francisco, reduto dos Pereira, ter sido destruída pela Força Pública pernambucana, um comandante também sugeriu a destruição de Nazaré do Pico. Seus fundadores ficaram boquiabertos ao escutarem o que dizia o oficial militar e foram contra aquela decisão.
Quando iniciou seu empenhou na luta contra o banditismo, João Flor chegou a intimar Lampião e seus irmãos Antônio e Livino a não retornarem para Nazaré do Pico, já que eles tinham sido expulsos por Antônio Gomes Jurubeba, homem respeitado na região. Estava iniciada aí a rixa entre os Ferreira e os Flor, filhos do lugarejo.
Em Nazaré do Pico, deu-se o primeiro confronto entre nazarenos e cangaceiros. O clima reinante agravava-se a cada dia. Os filhos e parentes de João Flor envolviam-se em combates com o bando de Lampião, perseguindo-o tenazmente. Neste período, João Flor teve a ideia de solicitar o alistamento dos filhos do lugar junto à polícia do Estado. Pedido aceito e os alistamentos realizados, as armas e munições foram distribuídas.
Sua luta iniciada contra os cangaceiros teria continuidade com os filhos Odilon e Manoel Flor e outros e só teve fim com a morte do Rei do Cangaço, em 28 de julho de 1938.
João Flor faleceu em 24 de janeiro de 1931 aos 60 anos.