Saiba quem foi Lino José de Souza (Pancada)


Nesta edição, o Nossa Folha prossegue com a série de reportagens sobre a vida de líderes de movimentos culturais, sociais e políticos

Última biografia sobre líderes de movimentos culturais, sociais e políticos do Brasil publicada pelo Nossa Folha foi a de Pedro Rodrigues Rosa (Pedro de Cândido).
Nesta semana, é a vez do cangaceiro Lino José de Souza, conhecido pelo apelido de Pancada. Filho de José Teixeira de Souza e Delfina Maria da Conceição, nasceu em Santo Antônio da Glória, na Bahia, e, ainda solteiro, aos 20 anos, entrou para o banditismo.
Antes disso, foi vaqueiro e, após ser obrigado pelo pai (que era coiteiro de Lampião), ingressou no famoso bando. O patriarca de Pancada dizia que preferia ver o filho na vida de cangaceiro que ser preso pela força-volante da polícia. Assim, o jovem seguiu o capitão e, nesse mesmo dia, em combate, matou a primeira pessoa.
Pancada integrou o bando de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião – Rei do Cangaço, por quatro anos. Depois, passou para o grupo de Cristino Gomes da Silva Cleto (Corisco) e, em seguida, chefiou seu próprio grupo.
O cangaceiro teve um conturbado relacionamento com Maria Adelaide de Jesus ou Maria Jovina, que, no Cangaço, ficou conhecida como Maria de Pancada. A jovem foi roubada por Pancada em 1935 com apenas 14 anos.
Os dois se conheceram antes de Pancada tornar-se cangaceiro. Naquela época, como vaqueiro, já nutria afeição por ela. A moça era comunicativa e de personalidade forte, mas sua característica principal era a libertinagem. Por essa razão, o relacionamento entre os dois sempre foi marcado por traições cometidas por Maria Jovina e, também, pelo ciúme por parte do cangaceiro, que muitas vezes a tratava de forma violenta.
Outra curiosidade em relação ao casal é que, apesar das traições de Maria Jovina, ela não foi morta. Tornou-se uma exceção, pois o adultério no código de honra do Cangaço era pago com a vida.
Tida como a mais fogosa, Maria Jovina traiu Pancada com os companheiros do bando e, em uma das ocasiões, Corisco quis matá-la, pois esse tipo de comportamento não era permitido, porém, foi impedido.
Pancada foi responsável por confirmar ao comerciante e vaqueiro João Almeida dos Santos, mais conhecido por Joca Bernardes, que Lampião tinha passado nas imediações da Fazenda Novo Gosto, no município alagoano de Pão de Açúcar, e havia atravessado a margem direita do Rio São Francisco em direção ao Estado de Sergipe, o que fez com que a força-voltante o encontrasse com a ajuda do coiteiro Pedro de Cândido, na Grota de Angico, no fatídico 28 de julho de 1938.
Após a morte de Lampião, em outubro de 1938, Pancada e seus companheiros se entregaram à polícia na Fazenda Poço Redondo, em Sergipe, e foram para o Batalhão da Polícia Militar de Santana do Ipanema, em Alagoas, com o propósito de contribuírem com as forças-volantes para a captura de Corisco e seu bando.
Na ocasião, Maria Jovina se encontrava grávida. Como buscava uma vida digna ao lado do companheiro, decidiu retornar à casa dos pais. Na época, Pancada e seu subgrupo causaram grande curiosidade. Populares se aglomeraram para conhecer e conversar com os bandoleiros.
Na Penitenciária de Maceió, no período em que cumpriu pena, Pancada se alfabetizou com o professor Manoel de Almeida Leite.
Ao meio-dia de 10 de fevereiro de 1943, o diretor da penitenciária, José Romão de Castro, em solenidade presidida por Ari Pitombo, secretário do Interior, Educação e Saúde de Alagoas, Pancada e outros companheiros foram soltos por bom comportamento e, ainda, pelo aspecto jurídico e social. A saída dos ex-cangaceiros da prisão passou pelo crivo do juiz da 1ª Vara da Capital, Osório Gatto.
Na época, depois de manter contato com o interventor Ismar de Góes Monteiro e com José Romão de Castro, diretor da Penitenciária de Maceió, o então presidente do Brasil, Getúlio Vargas, baixou um ato e pediu-lhes que colocassem Pancada e demais cangaceiros em liberdade. Além disso, determinou que conseguissem empregos para todos com objetivo de evitar o retorno deles à vida nômade do Sertão.
Na ocasião, todas estas autoridades emitiram pareceres favoráveis à soltura, considerando, inclusive, a personalidade de cada um, pois todos se revelaram disciplinados, obedientes e não ofereciam perigo algum à sociedade, fazendo-se impositiva a liberdade vigiada de todos e que não voltassem a residir no Sertão.
No entanto, após cumprir a pena, não se teve mais notícias de Pancada nem da sua companheira Maria Jovina.