Saiba quem foi o sargento Elias Marques Alencar


Nesta edição, o Nossa Folha prossegue com a série de reportagens sobre a vida de líderes de movimentos culturais, sociais e políticos

Última biografia sobre líderes de movimentos culturais, sociais e políticos do Brasil publicada pelo Nossa Folha foi a de João Gomes de Lira. Nesta semana, é a vez do sertanejo Elias Marques Alencar.
Nascido em 14 de abril de 1914, em Mata Grande, Alagoas, vivia com a família em Olho d’Água do Casado, a 270 quilômetros de Maceió. Era considerado homem rude do sertão e um dos últimos remanescentes que lutou no combate de Angicos, em Poço Redondo, Sergipe.
Entrou para a polícia aos 20 anos, no entanto, seu ingresso na “briosa”, em 1935, só foi possível com ajuda política. Como durante o período de recrutamento o Comando da Polícia Militar (PM) tinha negado sua entrada na corporação, a intervenção externa foi determinante para seu ingresso no Quartel Geral.
Elias fez parte da volante do tenente João Bezerra, que atacou o bando de Virgulino Ferreira da Silva, o temido Lampião, e Maria Bonita, em 28 de julho de 1938, em Angicos, pois conhecia bem a região e os hábitos dos bandoleiros. Na oportunidade, como forma de concretizar a vitória da volante diante dos cangaceiros, surgiu a ideia de decapitar as cabeças de Lampião e dos demais mortos para serem expostas em praça pública.
Aos historiadores, Elias contava que recebeu ordem de cortar o pescoço do Rei do Cangaço, mas não teve frieza para cometer tal ato. Depois das mortes de Lampião, de Maria Bonita e nove cangaceiros do bando, na época, como recompensa, Elias e os demais volantes foram recepcionados pelo então governador de Alagoas, Osman Loureiro Farias, e receberam um conto e 200 mil réis. Valor era suficiente para comprar um bom pedaço de terra naquela região. Elias, na oportunidade, também foi promovido a sargento.
Seu recrutamento no combate contra o bando de Lampião tem fato marcante para o então volante. Como sabia que a missão passada aos soldados comandados pelo tenente João Bezerra poderia ter um fim impróprio e desconsiderando a ordem dada pelos superiores – que era de não contar a ninguém sobre a missão de capturar Lampião -, Elias avisou a esposa Maria Pereira de Alencar (dona Lili), que poderia não voltar para casa. Lili, então, pediu que o marido levasse consigo a imagem de Padre Cícero Romão no bolso da farda. Foi com ela e a coragem que o soldado Elias partiu de Piranhas, no sertão alagoano.
Aos historiadores, o sargento contou, ainda, que tinha apenas três anos de corporação na PM quando se deparou com a desafiadora missão de capturar Lampião e seu bando. Nesse confronto, Elias contou que duas canoas foram usadas para o transporte dos mais de 40 homens da volante alagoana à noite pelo Rio São Francisco. A versão dada por Elias foi a de que não houve tempo para Lampião reagir.
Depois do confronto em Angicos e de ser promovido, passou pelo Quartel do Comando Geral em Maceió e pela Guarnição de Penedo e Piranhas, município sertanejo que fica próximo à cidade de Mata Grande, onde nasceu.
Na vida política, foi prefeito de Olho d’Água do Casado, em Alagoas. Recebeu homenagem em solenidade militar pelo Dia do Soldado no quartel da PM de Alagoas pelos serviços prestados em defesa da sociedade. Em Olho d’Água do Casado, existe uma fanfarra que leva o seu nome.
Morreu aos 96 anos na madrugada de 9 de fevereiro de 2011, em Piranhas, Alagoas, devido à falência múltipla dos órgãos. Estava internado no Hospital Xingó, em Piranhas. Seu corpo foi velado em sua residência, na praça Noé Leite, no Centro de Olho d’Água do Casado. Deixou a esposa Lili, de 89 anos, e oito filhos.