Salve, Deraldo Rodrigues!


Por Damana Rodrigues, jornalista e filha

Como me sinto realizada como filha e profissional ao poder usar o dom que Deus me deu para recordar do gigante Deraldo Rodrigues que, além de pai e mestre da vida, era um ídolo e um dos profissionais veteranos mais dinâmicos e referência do bom jornalismo de Cerquilho e região.
À frente do seu tempo e dono de um estilo inconfundível, Deraldo Rodrigues foi um homem que sacudia as informações e remexia os mais profundos baús para trazer a notícia com veracidade. Por muitos, foi considerado crítico e, por isso, tornou-se admirado pelos seus leitores. Não gostava de se apropriar da função, mas nasceu para ser um jornalista por profissão. Tinha senso crítico aguçado e criatividade ímpar em tudo que fazia! Definitivamente, possuía o dom das palavras e da escrita desde pequeno.
Aliás, em ocasiões diversas, seus admiradores me falaram e ainda falam que, em um tempo em que sobram sentimentos pequenos e faltam referências positivas, a partida do meu pai, naquele 26 de dezembro de 2015, empobreceu a história cerquilhense, pois, a partir daquela data, Cerquilho perdeu um profissional humanista, de consciência e luz própria.
Esses mesmos admiradores, assim como nós (família), também lamentam a falta de reconhecimento público diante do que representou Deraldo Rodrigues, aquele que registrou nos jornais a história de Cerquilho e do seu povo, um escritor e poeta que, por gerações, transmitiu conteúdos de maneira íntegra. Foram mais de quatro décadas noticiando fatos de forma marcante.
Não é lisonja, mas meu pai era uma pessoa justa e um profissional da imprensa bastante respeitado por sua coragem e ideal. Naquela noite de sábado, pós-Natal, no Pronto Atendimento da Santa Casa de Tietê, foi-se, aos 63 anos, um bravo guerreiro, aquele que transcendeu os limites da própria profissão para, além de informar, encorajar o pensamento crítico e o exercício da cidadania com esclarecimento.
Sem Deraldo Rodrigues, vivemos um enorme vazio, um vazio da sua presença e dos seus ensinamentos coerentes e inteligentes. Mas quem o conheceu, de verdade, sabe que, independentemente desse reconhecimento que falta à imagem dele, o filho de Damaso e Ana é grato aos que ficaram do lado de cá e que reconhecem nele o talento e a capacidade de criar e servir com total competência e humildade.
Já nós temos a certeza que Deraldo Rodrigues será insubstituível e, enquanto esteve por aqui e ainda que algumas vezes incompreendido, suas ações produziram verdadeira transformação, fosse como ser humano, pai de família e profissional de força e identidade.
Ficam a saudade, o respeito e o registro de que foi um privilégio usufruir da sua convivência e extraordinário talento! Salve, Deraldo Rodrigues!