Triste retrato da Cidade Jardim (Tietê)


Por Marcio Pazotto, morador de Tietê

Tietê já foi conhecida pela beleza da sua praça central. Hoje, como toda cidade, a praça dr. Elias Garcia, no Centro, é um retrato decadente.
Entendo que, em uma manhã ensolarada de domingo, é inadmissível ver as quatro fontes do jardim simplesmente desligadas e a água suja.
Normalmente, gosto de levar meu filho Antonio, de um ano e seis meses, para passear nesta praça e a alegria que ele demonstrava ao ver as fontes ligadas é algo contagiante. Antonio tem começado a pronunciar suas primeiras palavras e, neste último domingo, ao chegar ao coreto sua carinha de tristeza chamou-me atenção.
Ao ver as quatro fontes desligadas, meu filho disse assim: “Bô”! Na tradução paterna, significava acabou, ou seja, Antonio entendeu que não tinham mais fontes.
Não bastassem as fontes da praça não estarem ligadas, a água que preenchia o espaço estava tão suja que só servia como criadora de mosquitos da dengue. Imagino que manter essas quatro fontes limpas não seja um trabalho de Hércules.
De fato, é uma pena que Tietê se encontre tão abandonada. Entendo as limitações orçamentárias da Prefeitura, também sei o quanto é difícil gerir os gastos de uma cidade, porém, precisamos refletir com seriedade sobre o papel do gestor público e o que ele deve fazer com o dinheiro, tão suado, do contribuinte. Isso vale para todas as esferas de Poder, começando pelo município, que é onde todo cidadão vive.
Não podemos aceitar uma cidade rica como Tietê permanecer tão abandonada. Não culpo apenas a atual gestão. Infelizmente, as administrações anteriores também não respeitaram, como deveriam, o dinheiro “do público”, aquele que sai do nosso bolso.